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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, CAMBUCI, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Livros, Livros, Livros
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    Bolão Brasileirão - 21ª Rodada

    Ainda abalado pela sacoletada de ontem, passo aos palpites sem atualizar a última rodada. Lá vai:

    Assim que possível, o resultado final daquele outro Bolão relacionado àquele assunto acerca do qual não quero nem ouvir falar. Até lá.



    Escrito por Falavigna às 13h44
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    Brasil x Argentina

    Sim, são válidos os palpites lançados no post abaixo. Ainda enrolado com meu tempo, digo que Brasil e Argentina empatarão em 2 a 2 no tempo normal e decidirão tudo na prorrogação, quando venceremos por 1 a 0.

    Mais tarde, atualizações. Até lá.



    Escrito por Falavigna às 09h19
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    Sobre Valdívia, e outros lembretes

    Não, o Palmeiras não deveria ter vendido Valdivia. Sim, o Palmeiras poderia tê-lo mantido aqui aumentando seu salário ou cedendo ao atleta parte de seus direitos. Ou fazendo as duas coisas. As dívidas do Palmeiras estão bem compostas e, diante das providências recentemente tomadas na, como se diz por aí, operação propriamente dita, há muito mais motivo para otimismo do que para pessimismo – aliás, graças à aprovação do projeto que autoriza os aportes relativos à Arena, pode dizer-se que o Palmeiras está diante das melhores perspectivas materiais de toda a sua história. Se as redações esportivas do Brasil não sabem ler balanço, o problema não é nosso.

    Se, num mundo de sonhos da croniquinha, os clubes fossem sociedades anônimas de capital aberto, as ações do clube teriam atingido, desde a assinatura do contrato, alturas inimagináveis. As pessoas que hoje administram o clube sabem disso perfeitamente. Eu não sei se o que vou dizer é tão chato assim, mas não deve haver board no Brasil que seja capaz de preterir um único Belluzzo em favor de dois mil Kfouris, dezenove milhões de "Portellas, nunca vi coisas mais belas" e vinte e cinco bilhões de mesas editorias do LANCE!.

    Portanto, esqueçam. O Palmeiras não está vendendo Valdivia porque precisa de dinheiro imediatamente. Os problemas de fluxo de caixa são todos – todos mesmo - contornáveis e, caso o time vá à Libertadores (e irá) com uma equipe competitiva, dificilmente voltarão a incomodar - seriamente, ao menos – ao longo do ano que vem. Além do mais, o Palmeiras é candidato ao título nacional e é campeão paulista. O pessoal do LANCE! poderia ao menos brincar de jornalismo e ir a campo para tentar descobrir qual a premiação estipulada pelo contrato de patrocínio, matéria acerca da qual despendeu monumentais esforços para, no final, nos oferecer dados tão inúteis quanto se versassem sobre as possibilidades esfincterianas de Tom Cruise. Mas não vai fazer isso. Dá trabalho. É muito mais gostoso passar release adiante, como se trabalho fosse. O melhor dos segredos do marketing são-paulino consiste em explorar e alimentar a vocação para a vadiagem dessa gente.

    Em todo o caso, o que resta é que o problema não é dinheiro.

    O problema é o mesmo da época de Vagner Love. Mustafá não queria deixar “o cavalo passar selado de novo” (as palavras são dele), e citava o prejuízo que tivera ao segurar Lopes. Como se ter Love fosse a mesma coisa que ter Lopes. Meu Deus.

    O problema é que, hoje em dia, pouca gente entende de futebol, de verdade. E, mesmo quem entende, só encontra espaço na imprensa quando se sujeita a certo alinhamento com o vozerio autoritário. Por isso Danilo era esculachado no São Paulo. Por isso vi um sujeito, em pleno Palestra de 94, às vésperas do jogador explodir de vez e dar o Brasileiro ao clube, chamar Rivaldo de refugo. Por isso Tostão pôde, ao longo de anos, pontuar suas colunas com mais elogios a Juninho (o Paulista) do que a Alex ou Rivaldo. Não acreditem em mim: corram aos arquivos. Encontrarão, na vista panorâmica de nossa cobertura futebolista, muito mais termos favoráveis a Juninho ou mesmo Denílson (hoje – como direi? – anametizado), Renato (aquele, do Santos), Josué, Ricardinho (outro que se excomungou, depois) do que, na normalidade, se utilizou para tratar de Alex, de Rivaldo, de Diego, de Djalminha ou de, ora vejam só, Valdivia. De Rivaldo, se dizia que era grosso. Alex, sonolento. De Diego, que é mascarado. Djalminha, indisciplinado. Do outro lado, Juninho chegou a ser comparado a Zico. Denílson, a Canhoteiro. Edmundo nunca entrou numa partida de Copa, como titular, porque precisávamos incensar o talento cósmico de Denílson. Djalminha nunca foi nem banco em Copa. Quem precisava dele, quando havia uma vaga de volante perfeita para monstros sagrados como Doriva? Fosse pela crônica, o São Paulo teria se livrado de França – é, de França – o Corinthians desistido de Viola e o Palmeiras, vendido logo Val... Opa, mas o Palmeiras vendeu mesmo Valdivia!

    Ora, não vamos deixar o cavalo passar selado, né mesmo? Como diria PVC:

    Vamos combinar uma coisa. Qual a partida decidida por Valdivia no Campeonato Brasileiro? Ou mais: quantas partidas Valdivia decidiu neste ano? Você há de se lembrar do jogo contra a Ponte Preta, do título paulista e...
    Não vender Valdivia agora é correr o risco de ter o jogador no clube por muito mais tempo do que ele estará disposto a jogar no Palestra Itália.
    O time que busca derrubar o Grêmio - missão ingrata - e tentar a taça que não é sua há catorze anos já está pronto. Na quinta-feira passada, contra o Vitória, a escalação do segundo turno esteve em campo e brilho, embora com Valdivia na vaga que será de Kleber

    Não, não estou dizendo que a responsabilidade pela negociação de Valdivia é de PVC. Estou é afirmando que Valdívia está indo embora principalmente porque o futebol foi tomado por trapalhões, dentre os quais saquei o exemplo mais vigoroso que me veio à memória. O ambiente para vender Valdivia é favorável porque muita gente importante convenceu-se de que ele não é grande coisa. E essa gente deve ter chegado a ser importante cultuando a memória de Honra e de Glória de, deixem-me ver... Bandeira, por exemplo! Esse era fera! Hã? Que tal?

    Para explicar o que penso a respeito, vou utilizar-me de um estilo um tanto quanto Cruz de Savóia, que é para vocês verem como o assunto me deixou de bom humor: Juninho Paulista (de novo) em seu apogeu, era ótimo jogador - eu gostaria de tê-lo agora, mesmo aquele de 2005. Rápido, batia na bola decentemente, tinha habilidade para driblar quando em velocidade e passava bastante bem, além de ser ótimo sujeito e jogador aguerrido, vibrante e valente. Dito isto, que fique claro que, ainda assim, Juninho não serviria sequer para limpar o esmegma acumulado no sulco balanoprepucial de Valdivia, nem que fosse com as línguas das melhores Marias Chuteiras que papou, todas em cordial genuflexão. Fui claro?

    Se PVC acha que é bom vender Valdivia porque os, em minha opinião, duvidosos benefícios materiais compensarão os, na opinião dele, poucos malefícios técnicos; e se PVC é o comentarista mais respeitado do Brasil, então vejam vocês a que tipos estamos emprestando respeito. Não é nada pessoal - tenho para mim que PVC é honesto, trabalhador e gosta de futebol, o que já faz dele pérola rara na imprensa esportiva. Nem é pela diferença de opiniões. Mas é que a observação de PVC é típica daquele são-paulino que achava Danilo lento, daquele corintiano que queria Marcelinho longe, acusando-o de desagregador, daquele palmeirense que expulsou Rincón do Palmeiras atendendo aos pedidos da imprensa, após meia dúzia de partidas ruins, para vê-lo reforçar o Corinthians por dezenas de partidas ótimas. Avallone disse, de Luxemburgo, que ele tinha “péssimo gosto para jogador” por pedir Rincón de volta, em 97. Pois é. Como era histriônico, ficou por isso mesmo. Como PVC é palatável a não mais poder, diz a enormidade que disse e, acrescendo desserviço à bobagem, confere a ela alguma aura de seriedade.

    E vamos agüentando. O pessoal acha mesmo que está fazendo bom negócio. Pois então que achem outro Valdívia, agora. Só que pronto e evoluindo e identificado com o clube e a torcida e despertando o ódio dos adversários, como este que tínhamos até ontem. Consultem Birner (outro que achou o negócio bom) e Cia muito, muito limitada. Eles devem ter alguma idéia.

    P.S: A apostas para o “Bolão do Meu Saco” devem ser feitas neste link. As do das Olimpíadas, nos comentários a este mesmo post - mas considerarei as apostas feitas no anterior, sem problemas.

    E o Brasil baterá Camarões por 5 a 1, no tempo normal.



    Escrito por Falavigna às 11h40

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    Atualização Bolão Pequim - 1ª Fase

    O calendário do Brasileirão estrepou muita gente no Bolão das Olimpíadas, o que coloca todo mundo ainda na briga - sobretudo porque há aquela história das medalhas. Estamos assim, salvo engano:

    E a coisa correrá assim, agora: faremos apostas para o resultado do jogo entre Brasil e Camarões, pelas quartas-de-final. Dois pontos para coluna, cinco para placar. Se o camarada apostar em empate, conta com a seguinte vantagem: poderá palpitar para a prorrogação e submeter-se aos mesmos critérios de pontuação que valiam para o período regulamentar, considerando-se apenas este segundo placar - ou segunda coluna, conforme a precisão do palpite. Por outro lado, se nessa ocasião vier a errar a coluna da equipe classificada (caso a classificação de qualquer equipe se dê ainda na prorrogação), perderá os pontos que havia obtido na aposta do jogo do tempo normal. Mais: se insistir em outro empate que, no final, não venha a ocorrer, também perde os pontos aos quais havia feito jus nos noventa minutos. Porém, se voltar a apostar em empate e o jogo realmente for para os penais, o amigo acrescerá àqueles pontos os pontos de direito pela prorrogação, e ainda terá direito a apostar num vencedor qualquer para as cobranças da marca penal, independentemente do placar (não perca tempo arriscando, o acerto não valerá nada). Nessa hipótese, ninguém será penalizado pelo eventual equívoco porque, como todos sabemos, as cobranças da marca penal são como uma loteria.

    Ha, ha, ha. Que coisa.

    Por outro lado, o acertador levará cinco pontos extras, porque vai ser largo assim lá no raio que o parta.

    Notem que se você não apostar no empate para o tempo regulamentar, não poderá dar palpites para a prorrogação. E, se não insistir no empate para a prorrogação, não poderá apostar numa classificação, de quem quer que seja, pelos penais.

    Agora, uma boa notícia: o vencedor do Bolão ganhará uma camiseta estampada com alguma nota acerca deste "Blog do Meu Saco", nas cores de seu time de coração. Prometo que o material será excelente e, ainda, elegante a não mais poder. Uma coisa louca. Acordei ainda um tanto bêbado. Depois, lembrem-me do prometido.

    Abrirei, em breve, um post adequado para as tais apostas. Até lá.



    Escrito por Falavigna às 12h44

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    Atualização do Bolão - 19ª Rodada

    Feliz apenas pela desgraça geral, peço ajuda na conferência:

    Mais tarde, algumas observações sobre o tratamento - insólito - que a croniquinha tem dado à transferência de Valdívia. E a parcial do Bolão das Olimpíadas. E outras bobagens. Até lá.

     



    Escrito por Falavigna às 11h18

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    Bolão Brasileirão - 20ª Rodada - Bolão das Olimpíadas - 3ª Rodada

    Caríssimos, sei bem que estou publicando estes palpites sem atualizar os rankings do Bolão do Meu Saco e das Olimpíadas, que sequer teve sua primeira parcial. É que, como vocês devem imaginar, primeiro vem o leite das crianças. O Brasil sofrerá para meter 3 a 0 na China. No mais, as coisas correrão assim:

    Acho que, até amanhã, já acertei quase tudo. Antes do final de semana, quem sabe textos. Até lá.



    Escrito por Falavigna às 16h41

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    Bolão Brasileirão - 19ª Rodada - Bolão das Olimpíadas - 2ª Rodada

    Caríssimos, o Brasil baterá a velha e boa Zelândia por 4 a 0. No Brasileiro, ocorrerá o seguinte (sem tirar, nem por):

    E vai ser assim como eu estou dizendo. Gostaria bastante que o Palmeiras vencesse o campeonato sem vencer nenhum dos dois turnos: pode acabar em segundo em ambos, desde que o campeão do primeiro termine, por exemplo, em quarto no segundo e o campeão do segundo tenha sido, por exemplo, o quinto do primeiro. Isso seria maravilhoso porque, afinal, o pessoal do LANCE! poderia pegar aquelas horrorosas estatuetas e... ah, deixa pra lá.



    Escrito por Falavigna às 15h10
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    Atualização do Bolão - 18ª Rodada

    Um passo adiante, dois atrás. Fora a estupenda ressaca. Zimbro é uma porcaria.

    Até que alguém verifique alguma falha, estamos assim:

    O bolão das Olimpíada será atualizado na segunda. Em breve, os palpites do final de semana e do jogo do Brasil, domingo. Até lá.



    Escrito por Falavigna às 13h04
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    Bolão Brasileirão - 18ª Rodada - Bolão das Olimpíadas - 1ª Rodada

    Caríssimos, eu não teria tempo de organizar um bolão com todos os jogos das Olimpíadas, agora. Portanto, vamos fazer assim: depois do jogo 180, acrescentem seus palpites para Brasil x Bélgica. O critério de pontuação será o mesmo do Bolão do Brasileirão, e a premiação a mesma do Paulista: tarde na Juriti, à custa dos perdedores. Tem que ser assim, porque não tive tempo de obter patrocinador. Adicionalmente, digam quantas medalhas de ouro vocês acham que o Brasil levará em Pequim. Os que acertarem ganharão 05 pontos de bônus no Bolão das Olimpíadas, mas notem: se ninguém acertar, ninguém levará ponto nenhum - não adianta passar raspando. O Bolão acaba assim que o Brasil cair fora. Acho que iremos até a final. Para o Brasileiro, meus palpites são estes:

    Para Brasil x Bélgica, aposto em magra vitória canarinho por 2 x 1.

    E o Brasil assombrará o mundo com 09 medalhas de ouro.

    Até lá.



    Escrito por Falavigna às 10h12
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    Notinha sobre o Bolão das Olimpíadas e "Uma Lição de Democracia Racial"

    Caríssimos: até amanhã, vejo se podemos operacionalizar nosso Bolão das Olimpíadas. Até lá, fiquem com esta crônica de março de 2007, aqui re-publicada por conta da aproximação das Olimpíadas e para facilitar a vida de quem acompanha o "Literário" e vive pedindo para lê-la novamente:

     Uma Lição de Democracia Racial 

      

      

    Esta é uma típica pequena história de classe média paulistana, dessas que ainda vão acabar levando muita gente para uma temporada no campo, com fins de reeducação social. Reeducadores gostam muito de reeducar as pessoas no campo, principalmente se elas forem da cidade. Porque, se elas já forem do campo antes da reeducação, já não podem mais ser reeducadas e é melhor ir passando fogo nelas logo. Eu nunca entendi isso. Normalmente, os reeducadores reeducam as pessoas da cidade no campo para que elas libertem o camponês que há dentro de cada uma delas, o que as transformaria em pessoas fofas. Por outro lado, os reeducadores parecem não gostar muito de camponeses prontos e acabados quando vêem um de verdade na frente. Como os reeducandos da cidade vão, aos poucos, se tornando camponeses, chega-se inevitavelmente ao ponto em que já não é mais possível reeducá-los. Acho que é por isso que os reeducadores acabam passando fogo em todo mundo logo e pronto. Tem sua lógica. Mas voltemos à historieta.

     

    Trata-se de descrever certo ritual que se passava também na abertura da Copa do Mundo, mas que na das Olimpíadas era muito melhor. Isso porque há muito mais países nas Olimpíadas. Assim, suas cerimônias de abertura têm desfiles muito maiores, com mais bandeiras e com um monte de delegações que nem sonham em ir à Copa. Graças a essa disponibilidade de nações e cores, a coisa ficava mais engraçada.

     

    Consistia em algo mais ou menos assim: essas festas quase sempre ocorrem, no horário brasileiro, pela manhã. Na data de abertura dos Jogos reuníamos-nos ao longo da comprida mesa da sala de estar; meu pai, eu e meus irmãos. Precavidos, a essa altura já havíamos conseguido e disposto coisas boas para se comer. Coisas como gorgonzola, azeite, salame, pão italiano, lingüiça calabresa, azeite, parmesão, berinjela curtida no azeite, azeitonas, requeijão, leite, coca-cola, azeite e, ainda, um pouco de um ou outro azeite mais especial. Nós utilizávamos apenas uma das metades da mesa, de modo que tudo ficava agradavelmente atulhado. Ajeitávamos-nos diante da pequena televisão colocada um pouco depois do centro do sólido tampo de cerejeira (isso é para vocês verem como a coisa já começava politicamente incorreta), símbolo de uma época de prosperidade que já ia distante.

     

    Tudo isso era assim espremido porque não tínhamos mais o controle remoto daquele aparelho. Como já disse, estávamos meio que na merda. Uma mãozinha de coçar as costas fazia as vezes do controle, graças à surpreendente habilidade de meu pai em contornar potes, evitar copos e suplantar patês. Funcionava 80% do tempo. Quando dava errado (cerca de uma a cada cinco tentativas de trocar de canal, aumentar ou diminuir o volume ou mesmo ajustar a imagem), a culpa era nossa, “uns filhas de uma puta que não sabiam onde colocar o copo direito” e a respeito dos quais não se sabia dizer “por que não enfiavam os copos todos bem dentro do meio do cu”. Mas tudo bem. Limpava-se a mesa, repunham-se os itens perdidos e preparava-se o espírito para outra. Meu pai ajudava levantando os braços, erguendo o seu copo e um exemplar de “O Coruja”, enquanto o idiota responsável pelo desastre recolhia os dejetos e passava um pano no local.

     

    Bom, primeiro são aquelas músicas, aquelas apresentações cênicas, aqueles discursos e coisa e tal. Até aí a coisa prosseguia sem grandes transtornos e ameaças ao direito internacional, à liberdade das nações e à fraternidade entre os povos de toda a Terra. Mas, como estávamos no Cambuci, esse estado meio anódino de coisas não poderia mesmo se sustentar por muito tempo. Para o azar do COI, as delegações começam a desfilar sempre um pouco depois do meio-dia, horário do Cambuci. Como qualquer pessoa civilizada sabe, meio-dia é o horário a partir do qual é decente e permitido beber uns destilados, caso se esteja de folga. Entre as 10:00 e as 12:00, admite-se apenas cervejinhas. Depois do meio-dia, vale tudo.

     

    E meu pai mandava buscar sua inviolada garrafa de Wild Turkey. Ótima escolha. A única vantagem de se beber qualquer outra coisa além de Wild Turkey é que essas escapadelas nos permitem perceber o quanto teria sido mais sensata, uma vez mais, a opção pelo velho e bom Peru Selvagem. E as garrafas vinham à mesa sempre invioladas porque, depois de abertas, eram perfeitamente honradas. Se é que vocês me entendem.

     

    Uma vez destampada a garrafa, o ambiente todo melhorava substancialmente. A começar pelo cheiro de madeira que preenche o ar quando essas garrafas são abertas. A terminar pelo tipo de coisa que acontece quando alguém ingere um pouco daquele líquido brilhante e honesto. Naquelas ocasiões, ele acabava por despertar em meu imenso e gordo pai o melhor de seu espírito olímpico. Vejamos só no que isso costumava resultar.

     

    Uma das primeiras delegações a entrar é sempre a da Albânia. Meu pai era muito suscetível a essa história de Albânia. Como jamais conseguiu guardar qualquer opinião para si, por mais indiscreta que fosse, rapidamente ele passava a emitir os juízos mais variados a respeito da pequenina nação maoísta. E, coisa estranha: ele começava pelo acessório. “O João Amazonas, ele segue a linha da Albânia, aquele filha da puta”. Isso mesmo. A presença de João Amazonas nas hostes albanesas (ou albinas, como dizia o Gordo depois da quarta dose) depunha fortemente contra a Albânia. Vindo de um brizolista capaz de votar em Jânio, isso sempre foi o suficiente para garantir um “Raça de Filha da Puta que é albanês”. Bom, como boa parte do leste europeu é povoada por eslavos que, mais tarde, ao longo do desfile, revelar-se-iam nada menos do que “uns comunistas filhas da puta”, logo ficávamos sabendo que não somente os albinos, mas também todos os eslavos, maoístas ou não, não passavam de uma “Raça de filhas da puta”. Assim mesmo, “filhas da puta”, de modo que compreendo até hoje que a mãe de todas elas, as raças, era a mesma.

     

    Ninguém jamais foi poupado. As coisas que eram ditas sobre os povos da África, branca ou negra, valeriam várias e várias crônicas. Enganam-se os que imaginam que, em relação aos negros, ele se ativesse àqueles esteriótipos tão finos cuja utilização hoje em dia se quer ver banida. Isso seria falta de originalidade. Pior, seria desnecessário. Muito melhor era erigir grandes fantasias acerca de determinadas nações e, então, partir para as ilações mais insólitas que se possa imaginar. Por exemplo: por algum motivo, Senegal era a “Terra do Lothar, o príncipe de ébano assistente do Mandrake e grande filha da puta”. Os camaradas de Gana estavam todos mentindo na idade e, por isso, tinham a mãe na zona também. Os gentílicos eram sempre de grande valia, porque meu pai achava que podia fazer com eles o que bem entendesse. Uma das últimas delegações a desfilar era a da Zâmbia, com sua tradicional coleção de atletas repleta daqueles representantes da “Raça de Filha da Puta que é zumbi”. É bem verdade que, na letra “z”, o Wild Turkey já havia dado quase tudo de si.

     

    E ninguém jamais poderia lhe acusar de perseguição a quem quer que fosse, como se verá adiante.

     

    Tínhamos que tomar o maior cuidado com a delegação da Alemanha, porque ela provavelmente viria armada até os dentes e bêbada. Os israelenses jamais renderiam um único atleta de ponta, porque esse era um castigo divino, uma reprimenda de Jeová (assim mesmo, Jeová) a sabe lá Deus o quê. Essa maldição era, por motivos até hoje inexplicados e inexplicáveis, estendida aos árabes, outra “raça” cuja honestidade maternal era atacada pelas costas assim, de surpresa. Cuba. Sim, meu pai gostava de Cuba e fazia todas aquelas piadas sobre o vôlei feminino de Cuba: ele queria ver as moças de Cuba lançando. Os orientais eram todos tomados por chineses; mas isso, tenho certeza, era só para ganhar tempo. Atacava-se despropositada e violentamente as noções de higiene de todos os povos ditos amarelos e, de quebra, o gosto que eu e meus irmãos tínhamos pela “horrenda e mal-cheirosa comida chinesa à base de peixes crus e ovas de adolescentes virgens e sacrificiais”, numa afirmação reveladora e no mínimo polêmica sobre as diversas culinárias orientais (chinesas, portanto). No final, eram todos eles, em separado e um a um, umas “Raças de filhas da puta”. A Itália recebia tratamento realmente duro. Lá as pessoas são muito ligadas às mães, e por isso todos os italianos são uns bostas. Prova disso é que o Vasco, time de portugueses ligados aos pais, nunca passou pelas privações às quais o Palmeiras se submete até hoje. Os italianos eram xingados de safados, vagabundos, ladrões, fedidos e tudo o mais que os italianos supostamente costumariam atribuir aos nordestinos, porque além de tudo eles eram racistas. E isso porque o próprio Gordo era, ora vejam só, neto de italianos. Isso tinha que ser assim porque o Palmeiras andava mal. Coisa do outro mundo.

     

    Os portugueses, uns mesquinhos (essa é sem dúvida a maior injustiça) e os espanhóis, os maiores cretinos do mundo. As mulheres espanholas são lindíssimas, mas não têm bunda e não olham para a gente na rua, e as canelas delas se parecem com palmitos. E aquelas bichonas gregas? Os franceses, uns camaradas que sempre roubam no jogo. Afora isso, toda francesa adora sexo anal, o que é uma pena diante do fato de que elas jamais se depilam. Diante disso tudo, não se pode negar que são todos uma “Raça de Filha da Puta”. Os ingleses, “Pais da Civilização”, e Londres, “A Capital do Universo”. “God save the Queen” e “Raça de Filha da Puta que é inglês”, como inglês ninguém pode ser tão filha da puta. Nem americano. E olha que americano é uma “Raça de Filha da Puta” como nenhuma outra. Os peruanos, bolivianos e chilenos eram todos uns índios. Como se sabe, índio é japonês, o que equivale a dizer: índio é tudo chinês. E, os chineses, bom, vocês já sabem né? Não dá para confiar. Lembrem-se de Pearl Harbor.

     

    E assim íamos indo tarde adentro, até àquela hora em que deveríamos aprender algo sobre a gente de Zâmbia e que já foi citada lá em cima.

     

    Mais ou menos por aí acabavam o Bourbon e a festa. Convenhamos que não era pouco. A sala então já se convertera em cenário de terra arrasada: potes vazios, toalha manchada, copos abandonados a esmo, nódoas de gordura em quase tudo e todos, cinzeiros espalhados por todo o cômodo e minha mãe louca da vida com a bagunça, dizendo que ia embora daquela casa e que nunca mais iria voltar; que os italianos, se fossem filhas da puta, eram só os do lado do meu pai (uns mangia polenta, segundo ela) e que quando ela morresse daquilo todo mundo iria se lamentar e dizer a si mesmo: ah, ela era tão boa e a gente fez isso com ela.

     

    E, como não era o caso de se levar nada disso a sério, a gente então levantava e ia procurar outra coisa divertida de se fazer. Que era para não negar a raça.



    Escrito por Falavigna às 17h08

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    Sobre as Olimpíadas: uma nota e um palpite.

    Em breve, começam as Olimpíadas. Re-publicarei aqui um texto que saiu no Comunique-se, no Literário de 23 de março de 2007. Depois, foi revisado para o Sinapse. Fez algum sucesso à época de seu lançamento. Vivem pedindo um repeteco lá pelo Literário. Por isso vou incluir, na crônica desta quarta-feira, um link apontando para a re-publicação do texto, neste blog.

    E tem mais: meu palpite é que o Brasil vencerá as Olimpíadas no futebol masculino. Seria divertidíssimo. Há tempo para um bolão extraordinário? Ou deixaremos isso para a fase eliminatória?

    Hein?



    Escrito por Falavigna às 17h27
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    Pergunta da semana

    Não é minha, é do Godoy, no "Terceiro Tempo" de ontem. Quase em off, aliás, porque escapou enquanto as vinhetas do intervalo começavam a encobrir as vozes dos comentaristas, cujas imagens já haviam sido até sobrepostas pela do tema do programa.

    "_ Será que o Caio Júnior está sendo carinhoso com os jogadores do Flamengo?"

    Pois é, boa pergunta.

    Hein? Será?

     



    Escrito por Falavigna às 13h46
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    Atualização do Bolão - 17ª Rodada

    Desastre para quase todos, donde felizmente me salvei. Correções feitas, segue o resultado atualizado até qualquer justa reclamação:

    Teremos aí uma semana agitada. Olimpíadas, sabem como é. Vou ver se faço algumas graças.

     



    Escrito por Falavigna às 11h57
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    Bolão Brasileirão - 17ª Rodada

    De agora em diante, humildade:

    Francamente, que draga.



    Escrito por Falavigna às 10h41
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    Atualização do Bolão - 16ª Rodada

    Desastre, para mim e mais uns dois. Com essa média, ninguém pega o pentelho do Giocondo. O Birner é quem tem razão: esse cara não presta.

    Espero ter acertado os pontos do Paulo, desta vez. Corrijam-me onde eu estiver errado: lembrem-se que passei para o manual, e lá fiquei.

    Em breve, os palpites deste final de semana. Até lá.

     



    Escrito por Falavigna às 10h18
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    40 anos de... ah, deixa pra lá

    Confuso, para dizer o mínimo.

    A coluna de Kfouri, hoje, na Folha de São Paulo. "40 anos de experiência" é o título do, digamos, texto. Merecia um daqueles posts "ele em vermelho, a gente em outra cor". Mas estou sem saco. Destaco apenas dois parágrafos, altamente representativos do famoso savuafé do moço. Ao primeiro:

    "Em primeiro lugar, porque a eleição dele foi contra a vontade de quatro dos cinco clubes mais populares do país, a saber e pela ordem: Flamengo, Corinthians, São Paulo e Vasco. Um quinto clube, que não foi, como deveria ter sido, o Palmeiras, também não votou em Horcades: o Botafogo"

    Alguém, pelo amor de Deus, traduza esta porcaria aí em cima. A última frase: alguém não foi como deveria ter sido, é isso? Estranho, mas vá lá. Não faria sentido, no contexto. OK, admitamos o erro de digitação: que ele tenha querido dizer "ido", sei lá. Ainda assim, por que deveria? Porque ia e não pôde ou porque tinha o dever, a despeito de não tê-lo cumprido? Mais: qual dos dois clubes deveria ter sido ou ido? Aquele quinto, qual seja, o Botafogo (isso se entende) ou o Palmeiras? O Palmeiras ou o Botafogo, qual deles não foi ou não votou em Horcades? Cartas à redação. Ao segundo:

    "O Palmeiras, como se sabe, é o quarto clube mais popular, vive uma situação de aparente modernização, mas convive com contradições que podem levá-lo à breca, o que será uma lástima"

    Como se sabe quem, cara pálida? Quase todas as pesquisas apontam empate técnico entre Palmeiras e São Paulo. Antes de alguém se tomar de dores: dados e análise das graças que Juca faz com essas pesquisas, aqui. A última do Datafolha, aliás, colocava os dois rigorosamente lado a lado. Se servir para provar que a do São Paulo cresce mais do que a do Palmeiras, há de servir para dizer que é impossível afirmar que é mesmo maior. Aceitar só a boa - para ele, Juca - notícia, é que não dá. Há só um levantamento, encomendada pela Placar, em que o São Paulo aparece descolado – e os critérios de todas as pesquisas são motivo das mais grossas confusões. Detalhe: os números variam pouquíssimo em relação aos dois clubes, Palmeiras e São Paulo, há mais de 10 anos (observem o post linkado, acima), mas a torcida do Fluminense, por exemplo e nesse mesmo período, foi assassinada em milhões somente para, mais tarde, ser ressuscitada em outros tantos milhões assim, como se estivéssemos alternando guerras e babyboons pós-guerra de cinco em cinco anos – e só os tricolores do Rio sentissem o efeito. Mas essa não é a melhor parte.

    A melhor parte é a que dá conta das contradições com as quais o Palmeiras convive e que poderão levá-lo à breca. Notem que, nas palavras de Kfouri, a modernização do Palmeiras é aparente - ainda que possamos verificá-la materialmente, como no caso do contrato com a WTorre - mas as contradições já estão lá, vivinhas, mesmo que brecosas só em latência. Desafio aos leitores: um único parágrafo de Juca Kfouri, fundamentado, explicando quais são essas contradições. Exemplo de picaretagem não admitida:

    • "Olha, gente, a WTorre, uma empreiteira, é considerada super-hiper-agressiva no plácido mercado da... construção civil! Li isso numa nota de rodapé do Valor. Que perigo. Ui."
    • Comparar, e mesmo igualar a Traffic à MSI sem oferecer maiores explicações, também não vale - se você não puder positivar a constatação de pontos comuns entre a máfia russa e uma empresa brasileira legalmente constituída, antipática o quanto ela lhe seja, mas, ainda assim, pretende demonstrar similitudes entre os dois entes, desista: não posso levá-lo a sério. Como não levo Juca a sério.

    Em suma: manifestações de desejos recônditos não serão admitidas. O resto todo, vale: fatos, associação entre fatos e idéias, documentos; enfim, provas materiais, circunstanciais ou testemunhais, ainda que apenas parcialmente disponíveis (afinal, supõe-se que a coisa seja, por enquanto, de interesse jornalístico e não judicial - ainda que não custe nada lembrar que, se confirmadas tais ilações, alguns diretores do Palmeiras, além de J. Hávilla, acabarão presos), serão recebidas com atenção - mas lembrem-se: devem ter sido trazidas à balia por Juca Kfouri, do alto dos seus quase 40 anos de... de quê, mesmo?



    Escrito por Falavigna às 15h18

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    Boa, muito boa

    Como encho o saco de todo o mundo, seria muito chato não elogiar o que aparece de bom, e de tão bom que salte a vista. A nota de PVC sobre a média de público deste Brasileirão é curta, seca e certeira. Vejam só:

    A MÉDIA DE PÚBLICO SOBE

    postado por Paulo Vinícius Coelho