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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, CAMBUCI, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Livros, Livros, Livros
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    40 anos de... ah, deixa pra lá

    Confuso, para dizer o mínimo.

    A coluna de Kfouri, hoje, na Folha de São Paulo. "40 anos de experiência" é o título do, digamos, texto. Merecia um daqueles posts "ele em vermelho, a gente em outra cor". Mas estou sem saco. Destaco apenas dois parágrafos, altamente representativos do famoso savuafé do moço. Ao primeiro:

    "Em primeiro lugar, porque a eleição dele foi contra a vontade de quatro dos cinco clubes mais populares do país, a saber e pela ordem: Flamengo, Corinthians, São Paulo e Vasco. Um quinto clube, que não foi, como deveria ter sido, o Palmeiras, também não votou em Horcades: o Botafogo"

    Alguém, pelo amor de Deus, traduza esta porcaria aí em cima. A última frase: alguém não foi como deveria ter sido, é isso? Estranho, mas vá lá. Não faria sentido, no contexto. OK, admitamos o erro de digitação: que ele tenha querido dizer "ido", sei lá. Ainda assim, por que deveria? Porque ia e não pôde ou porque tinha o dever, a despeito de não tê-lo cumprido? Mais: qual dos dois clubes deveria ter sido ou ido? Aquele quinto, qual seja, o Botafogo (isso se entende) ou o Palmeiras? O Palmeiras ou o Botafogo, qual deles não foi ou não votou em Horcades? Cartas à redação. Ao segundo:

    "O Palmeiras, como se sabe, é o quarto clube mais popular, vive uma situação de aparente modernização, mas convive com contradições que podem levá-lo à breca, o que será uma lástima"

    Como se sabe quem, cara pálida? Quase todas as pesquisas apontam empate técnico entre Palmeiras e São Paulo. Antes de alguém se tomar de dores: dados e análise das graças que Juca faz com essas pesquisas, aqui. A última do Datafolha, aliás, colocava os dois rigorosamente lado a lado. Se servir para provar que a do São Paulo cresce mais do que a do Palmeiras, há de servir para dizer que é impossível afirmar que é mesmo maior. Aceitar só a boa - para ele, Juca - notícia, é que não dá. Há só um levantamento, encomendada pela Placar, em que o São Paulo aparece descolado – e os critérios de todas as pesquisas são motivo das mais grossas confusões. Detalhe: os números variam pouquíssimo em relação aos dois clubes, Palmeiras e São Paulo, há mais de 10 anos (observem o post linkado, acima), mas a torcida do Fluminense, por exemplo e nesse mesmo período, foi assassinada em milhões somente para, mais tarde, ser ressuscitada em outros tantos milhões assim, como se estivéssemos alternando guerras e babyboons pós-guerra de cinco em cinco anos – e só os tricolores do Rio sentissem o efeito. Mas essa não é a melhor parte.

    A melhor parte é a que dá conta das contradições com as quais o Palmeiras convive e que poderão levá-lo à breca. Notem que, nas palavras de Kfouri, a modernização do Palmeiras é aparente - ainda que possamos verificá-la materialmente, como no caso do contrato com a WTorre - mas as contradições já estão lá, vivinhas, mesmo que brecosas só em latência. Desafio aos leitores: um único parágrafo de Juca Kfouri, fundamentado, explicando quais são essas contradições. Exemplo de picaretagem não admitida:

    • "Olha, gente, a WTorre, uma empreiteira, é considerada super-hiper-agressiva no plácido mercado da... construção civil! Li isso numa nota de rodapé do Valor. Que perigo. Ui."
    • Comparar, e mesmo igualar a Traffic à MSI sem oferecer maiores explicações, também não vale - se você não puder positivar a constatação de pontos comuns entre a máfia russa e uma empresa brasileira legalmente constituída, antipática o quanto ela lhe seja, mas, ainda assim, pretende demonstrar similitudes entre os dois entes, desista: não posso levá-lo a sério. Como não levo Juca a sério.

    Em suma: manifestações de desejos recônditos não serão admitidas. O resto todo, vale: fatos, associação entre fatos e idéias, documentos; enfim, provas materiais, circunstanciais ou testemunhais, ainda que apenas parcialmente disponíveis (afinal, supõe-se que a coisa seja, por enquanto, de interesse jornalístico e não judicial - ainda que não custe nada lembrar que, se confirmadas tais ilações, alguns diretores do Palmeiras, além de J. Hávilla, acabarão presos), serão recebidas com atenção - mas lembrem-se: devem ter sido trazidas à balia por Juca Kfouri, do alto dos seus quase 40 anos de... de quê, mesmo?



    Escrito por Falavigna às 15h18

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    Boa, muito boa

    Como encho o saco de todo o mundo, seria muito chato não elogiar o que aparece de bom, e de tão bom que salte a vista. A nota de PVC sobre a média de público deste Brasileirão é curta, seca e certeira. Vejam só:

    A MÉDIA DE PÚBLICO SOBE

    postado por Paulo Vinícius Coelho

    De 2006 para 2007, o crescimento de público do Brasileirão foi de 30%. Atingiu a melhor marca em 20 anos.
    A comparação de público na décima-quinta rodada de 2007 e 2008 é de 15%.
    Se alguém prestar atenção nesses números e trabalhar neles, é possível tentar chegar a 30 mil pagantes por partida em cinco anos - o recorde no Brasil é de 22 mil pagantes por jogo, em 1983.
    Em vez disso, o que se ouve é Marcelo Campos Pinto dizer que o campeonato do ano passado só teve crescimento porque incluiu clubes de massa, como Atlético Mineiro e Sport.
    Este ano, o campeonato tem o Ipatinga e não tem o Corinthians.
    E aí?

    O troço melhor fica quanto mais a gente repara que, para se argumentar em favor de idéias sensatas, o sujeito precisa antes compreendê-las. Se for para falar apenas por falar, para atender ao chamamento das "boas causas", para mostrar o quanto se é do "Bem", então é melhor ficar quieto. Eu sou a favor do campeonato de pontos corridos, inclusive porque nossa fome de mata-mata é saciada na Copa do Brasil, na Libertadores, nos Estaduais, nos torneios entre seleções - enfim, em todo o resto. Ainda assim, só isso não bastaria para sustentar a idéia - se o campeonato fosse deficitário, seria também inviável. Se o público vai cada vez mais em maior número - e os pontos corridos geram os mais variados motivos para se ir ao estádio apoiar o time - o campeonato não pode ser deficitário. Ainda que a televisão pagasse mais por eliminatórias, o futuro do futebol, assim como seu passado e seu presente, está na arquibancada lotada. No dia em que ela estiver vazia, a televisão pagará quanto lhe vier à veneta, e todo o lucro obtido agora, por imediatismo, seria depois compensado pelo choque de retorno das ofertas apoiadas naquelas alegações típicas do final dos anos 80, começo dos 90: ah, o brasileiro não quer mais saber de futebol, o negócio da "galera" agora é skate, tá sabendo? Uhú.

    Sim, os clubes precisam de receita e, talvez, as bilheterias jamais representem, em valores, o que a televisão pode pagar. Ainda assim, o argumento do público é poderoso porque, contra ele, não se pode levantar nenhum dado que aponte para a falta de interesse comercial, ataque já experimentado pelo futebol, no Brasil, naquele período citado acima. E, do modo como PVC o expôs, a coisa fica mais ou menos irrespondível: é, o público está crescendo sem o... Corinthians, substituído, por exemplo, pelo... Ipatinga. É, olha os números aqui: 15%. É, dá até pra projetar sem pejo: quem sabe, 30.000 por jogo. Por que não? É, Dona Globo, vamos ter que passar futebol mesmo, né? Que chato. Tênis era tão legal. Tão mais sofisticado, né mesmo?

    Esses números todos com os quais PVC patina tentando abarcar essa coisa plástica, dinâmica e improvável que é o jogo de bola, quando utilizados no lugar e na hora certa são, é verdade, uma das atividades mais divertidas da experiência humana.



    Escrito por Falavigna às 10h40

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    Quarta é dia de Comunique-se

    Creio que, desde que passei a apontar para as minhas crônicas no "Literário", nunca tive menos problemas em sugerir aos que tiverem cadastro ou, ainda, aos que tiverem paciência de se cadastrar e, sobretudo, àqueles que possam se interessarem que, nesta semana, estou aqui.

    Não ficou mau, não.



    Escrito por Falavigna às 14h13
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    Bolão Brasileirão - 16ª Rodada

    Fingindo-me de morto, passo aos palpites que colocarão muitas coisas no seu devido lugar:

    Vejam lá vocês que, se sair tudo desse modo, a coisa começa a melhorar para mim. Porque duvido que muitos me acompanhem em certos palpites. Até lá.



    Escrito por Falavigna às 14h04
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    Esclarecimento

    Como um leitor e membro do Bolão, Davi Marinelli, já se manifestou sobre o episódio de 1990, antecipo-me e esclareço o seguinte:

    Observem os regulamentos dos campeonatos de 1988 e 1989 - eles também não falavam em descenso, e sim em grupos 1 e 2 para a primeira divisão e em segunda divisão - o que não quer dizer que membros do grupo 2 tivessem chance de disputar o título, por mais estranho que possa parecer. É por isso que, em 1991, o presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, garantia, a despeito das promessas de Fernando Casal de Rey - aliás, cumpridas - que o São Paulo não disputaria o título de 1991. Ironicamente, o testemunho de tal declaração está, parte dele, aqui. As declarações de de Rey se encontram, por exemplo, no caderno de Esportes da Folha de São Paulo - quem quiser, vá ao arquivo, mas já vi fac-símile da coisa na Web: no antigo blog do... Paulinho, é isso mesmo. Se esteve lá (deve ter se perdido quando da saída do UOL), deve ser possível achá-lo em outro local. Já fiz isso antes de perder a paciência com esse assunto. Ora, mas perder a paciência por quê?

    Porque todo o mundo - inclusive o São Paulo - entendia que o São Paulo não disputaria o título em 1991 - quanto mais em vantagem, como acabou ocorrendo por burrice dos adversários. Isso por conta da redação do próprio regulamento. Que, quase duas décadas depois, se finja que nem o presidente da Federação, nem o diretor de futebol do São Paulo podiam ser desde aquela época interpelados acerca de tamanho equívoco, é coisa que não posso engolir: não sou Juca Kfouri, tampouco Birner. O São Paulo, se não se mexesse, teria sido alijado da disputa do Paulistão de 1991. Era o que teria acontecido ao clube caso seus - como é que era mesmo? - co-irmãos não optassem por assinar o regulamento de 1991 com modificações mais do que essenciais em relação ao previamente acordado.

    É só isso. Não tem nada demais. O Palmeiras caiu, o Fluminense também, o Botafogo, o Atlético Mineiro: todos caíram. O Milan caiu. O Corinthians, inclusive, está gostosamente caído. Se eu fosse são-paulino, preferiria muito mais tirar sarro dos rivais, por cafajestice, do que desmentir a mim mesmo com quase duas décadas de atraso, por orgulho.



    Escrito por Falavigna às 17h26
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    Sobre Assessorias Informais

    Por que ironizar Birner não somente por questões de gosto, digamos, jornalístico, e também por sua proximidade às coisas do Morumbi? Vejam, há algo de caráter geral que precisa ser esclarecido antes de se levar adiante a questão específica.

    Domingo de manhã estive ouvindo a bonita - e me parece a melhor dentre as muitas que se fizeram - homenagem da Bandeirantes a Luis Fernando Bindi (aqui, uma nota: a observação de Milton Neves acerca do inexplicável silêncio de certas pessoas foi precisa - poucas coisas são mais deletérias ao espírito do que o remorso, e é difícil entender como há um tipo de gente que simplesmente se predispõe a tamanho risco assim, como se fosse a coisa mais normal do mundo) e veio-me, pela voz de alguém que lia algo do falecido a citar Mauro Beting: há jornalistas palmeirenses e palmeirenses jornalistas. Acrescento que, se essa distinção fundamental vale para todas as paixões clubísticas, não é menos verdade que valha para todas as profissões, sobretudo as que participam do universo futebolista. Há, por exemplo e pelo mais forte exemplo (não por conta do clube, e sim da função), árbitros flamenguistas e flamenguistas árbitros. Penso, inclusive, ser essencial ao camarada torcer por alguém - pelo simples motivo de que este é o único modo de fazê-lo evitar uma alienação que pode muito bem passar por distanciamento, mas que por melhor que passe dificilmente deixará de ser alienação. Portanto, estou me lixando para o time pelo qual Birner torce. Desço a lenha em Kfouri por muita coisa, mas reconheço: ele é corinthiano e, se há algo de que raramente se pode acusá-lo a sério é de parcialidade por conta de sua paixão alvinegra. Ele é parcial, além do que seria aceitável, ou seja, sem aquela permanente intencionalidade de imparcialidade que é o máximo que se consegue e o mínimo que se pede, porque seu fanatismo é de outra ordem - e de uma outra ordem muito pior. O caso de Birner, aqui, é outro.

    O meu problema com ele é o mesmo que quase todos têm, quase sempre, com Chico Lang; o mesmo que muita gente, em muitos momentos, teve com Avallone. Mas o caso dele é mais grave, tanto formal como materialmente. Sob o aspecto formal, consigam-me outro jornalista que se preste a publicar o próprio blog não apenas nas cores daquele que, notoriamente, é seu time de coração, mas que o faça oferecendo visual compatível ao dos – como é mesmo? – malditos "Blogs de Torcedores". Imaginem PVC com um blog em verde e branco, pequeninas notas vermelhas em espaços estratégicos e estilizando tudo como, sei lá, o inclusive muito bonito "Parmerista". Para o Conrado, fica perfeito. Para o PVC, seria uma impostura – pela qual, aliás, ele teria pagado muito, muito caro. E, se for para piorar tudo, não custa nada lembrar que há muitos casos em que o torcedor-blogueiro escreve melhor do que os jornalistas-torcedores (o Barneschi, para ficar num caso palmeirense), além de manter-se melhor informado acerca das coisas do clube (o Giocondo, para continuar no campo dos palmeirenses) e de acompanhar as partidas menos precipitadamente, como o Ademir – para não abandonar a linha, ainda.

    Se fosse só por isso, só pelo fato de Birner jamais ter imaginado qualquer coisa parecida com cautela – ou ele sequer chegou a cogitar que esse tipo de coisa poderia gerar-lhe desgaste desnecessário, ainda mais tendo em vista que, em tese, sua conduta deveria se destacar pela independência, essa coisa louca que faz de cada membro da patota a cocada mais “diferenciada” do tabuleiro? – eu reputaria tudo isso não à desfaçatez, mas à ingenuidade. Mas há o conteúdo, não é mesmo? Aquele elemento de natureza material ao qual me referi no início do parágrafo anterior. E é aí que a coisa desanda de vez.

    Todas as opiniões de Birner acerca do mundo, do esporte, da administração esportiva, das decisões da arbitragem e dos tribunais desportivos, da hierarquia dos valores, dos termos de comparação, todas elas são perfeitamente compatíveis, em essência, com aquilo que, no quadro geral, é a opinião da hora da atual direção são-paulina. Alguém dirá que isso é assim também para Kfouri ou mesmo PVC, porque a atual administração são-paulina é um paradigma com o qual as pessoas têm todo o direito de concordar. Eu responderei que seria possível se Birner, à diferença dos exemplos citados, não fizesse coincidir, para os episódios da vida que deveriam lhe alimentar as opiniões, os pontos de vista que defende com os pontos de vista que a situação do São Paulo, ademais muito baseada em questões momentâneas e superficiais, defende também. Cinco minutos de leitura ao blog do homem, mesmo em episódios recentes, oferecem uma miríade estonteante de exemplos.

    O gol de Adriano anulado por Sálvio Spínola não pode ser discutido por gente que entende de futebol – deveria ter sido validado, e ponto. A direção do Palmeiras esteve preocupadíssima com a hipótese de o São Paulo ser campeão da Libertadores. Ele prefere Muricy a Luxemburgo. “Lá, não querem mais Luxemburgo”: este é Paulinho destacado para falar sobre as relações Luxemburgo-Joinville, um dia depois da goleada infligida pelo Palmeiras ao São Paulo, em março; partida sobre a qual, diga-se, Birner julgou imprescindível postar comentário criticando a deslealdade de Kléber (que vinha sofrendo pênalti antes de desferir o golpe, fato elidido), ou comentar o impedimento inexistente de Borges no gol anulado de Richarlyson – lance em que a defesa do Palmeiras abandonou a bola, outro fato para o qual se encomendou nova elisão. A cabeçada de Adriano, em Domingos, foi um lance assim meio que auto-afirmativo, apenas e tão somente – videm o “Cartão Verde” da semana do julgamento do atacante, cujo convidado (por sinal, genitor da idéia psicanalítico-suburbana) foi ninguém menos do que... Marco Aurélio Cunha! Valdívia, bem... Valdívia não é tudo isso, pode até ser comparado, sem grandes vantagens ou pejo, a... Molina! E a Arena Palestra Itália, aprovada pela prefeitura e cuja obra será gerida sob contrato já assinado que compromete centenas de milhões de reais, jamais lhe pareceu digna de qualquer nota séria.

    Parece piada. Consultem as colunas de Chico Lang. Cotejem com os posts de Birner. Aquelas sequer passam perto destas em matéria de assentimento emocional. Com a vantagem de não se as apresentar, nunca, como “diferenciadas”.

    Ah, mas ele criticou a contratação de Carlos Alberto, a reintegração de Hugo, o tempero do croquete do bar temático. Disse que a classificação do Palmeiras à final do Paulista foi justa, e que os três penais no encontro da fase de classificação ocorreram. Que o gol de Adriano foi com a mão e que a arbitragem, ali, errou grotescamente. Olha, pessoal, não são sequer exceções destinadas a confirmar a regra – no máximo, variam entre geraldinadas que não puderam ser contidas e concessões cedidas ao sabor dos resultados favoráveis obtidos ou por obter - tanto que se fizeram seguir, sempre, por muitas e muitas ressalvas (algo como: hei, mas não foi pênalti no Lenny, hein? Hei, mas o Paulista é mequetrefe, o que vale é a Libertadores, hein?) que, verdadeiras o quanto fossem – e nem sempre o foram - estiveram sempre deslocadas.

    Em nenhuma ocasião Birner deixa de oferecer ao mundo essa linha de conduta previsível, meio infantil: como qualquer torcedor, admite fazer concessões pontuais, desde que lhe reconheçam a primazia quanto ao cerne da questão.

    Exemplo definitivo: hoje, Vitor Birner é incapaz de reconhecer, como já reconheceu um dia, que o São Paulo foi rebaixado em 1990; alega que, se é assim, dez equipes foram rebaixadas, como se a estranheza do fato fosse capaz de lhe privar da veracidade. Sim, aconteceu, inclusive porque havia equipes que, por conta da situação que viviam em 1990, em 1991 não disputariam o título mas que, anda assim, tiveram possibilidade de acessar as semifinais  de 1991 - caso daquelas que não haviam ascendido em, ora vejam só, 1990. O que equivale a dizer que diversas equipes foram promovidas somente para que uma não descesse. O nome disso é virada de mesa, e a diretoria do São Paulo, na época, jamais teve problemas para admitir que a tentaria – como de fato a tentou e obteve.

    A Copa João Havelange utilizou rigorosamente o mesmo mecanismo para promover o Fluminense, e gente como Birner a ridiculariza, e ao clube carioca, por motivos idênticos. Segundo o raciocínio utilizado pelo jornalista, não podemos dizer que o Fluminense deveria estar na série B em 2000 e que, com mil diabos, virou a mesa. Isso porque, para tanto, teríamos de admitir que, na prática, tenha havido acesso de dezenas de equipes (a rigor, todas de todos os módulos; afinal, todas poderiam ter ido parar onde estiveram Malutron e São Caetano) - acesso esse que, entretanto, na prática ocorreu. Assim como o rebaixamento que impediu todas – de novo, todas - aquelas equipes de, no ano seguinte, permanecerem em condições de disputar o título. Num ano, podiam ser campeãs da primeira divisão. Noutro, o seguinte, tinham que lutar, antes, para ascender a tal posição – e, portanto, adiar o sonho por mais um ano. Essa é a essência mesma do descenso, seu espírito completo, irretocável – e foi o que aconteceu ao São Paulo, como bem sabia Fernando Casal de Rey, então diretor do clube, há dezoito invernos. Quanto aos fatos, reclamem com Juvenal Juvêncio, titular da cadeira presidencial àquela época. Quanto às deduções, ora... Não sou eu quem quer assim. A lógica é que o exige. Não reclamem comigo. Os que não gostarem, vão lá até o bom e velho Ari e chiem com ele, no Hades. Não tenho saco.

    Birner pode torcer por quem bem entender, isso não deveria ser nada demais. Alguns de meus jornalistas esportivos favoritos, como Petri e Helena, são são-paulinos. Na minha lista de links, está o “Um Olhar Crônico Esportivo”, que é de Emerson Gonçalves – são-paulino clássico, remoto, saído da aurora imaculada dos tempos. E é de lá que vêm muitos dos leitores são-paulinos que se divertem conosco no “Bolão do Meu Saco”. Qualquer um que ler seu blog perceberá que ele simplesmente não pode estar ali só para fazer média.

    O que me parece inadmissível é que Birner se dê ares muito sérios e distintos, e que isso soe tão natural a certos colegas dele - até agora, vi apenas Sócrates acusando-o jovial e jocosamente de qualquer “morumbada”, ou coisa que o valha – que, no entanto, não conseguem se referir à figuras como Lang, Avallone e outros sem alguma nota de ironia. Pois Birner é mais – como direi? – figurativamente chapa-branca do que todos eles, ainda que o seja por motivos do coração, informalmente, de maneira nobre e desinteressada, patriótica mesmo - que me importa?

    Não se trata de chamá-lo de desonesto: sequer o conheço.

    Trata-se de tomá-lo pelo o que ele realmente é. Não um são-paulino jornalista, mas um jornalista são-paulino, cujos interesses e tempo estão voltados quase integralmente para o São Paulo, bem como suas fontes, seu contatos formais, seu trânsito e todo o seu trabalho conhecido. Não que seja grande coisa, é verdade. Aposto o que vocês quiserem que, na Web, se encontra material mais valioso, só que produzido por torcedores do São Paulo.

    E, portanto, alocados legitimamente no espectro da cobertura esportiva: dentre os obscuros, suspeitos e tetérrimos “Blogs de Torcedor”. Que é onde Birner deveria estar.



    Escrito por Falavigna às 11h34

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    Atualização do Bolão - 15ª Rodada

    Com a disparada menor média de pontos de todos os tempos, ficamos assim (até que alguém descubra alguma besteira na contabilização):

    Em breve, algumas notinhas esclarecedoras acerca do post destinado a desancar o "Cartão Verde". Até lá. 



    Escrito por Falavigna às 10h57

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    Bolão Brasileirão - 15ª Rodada

    Chorando, que é pra ver se a juizada começa a roubar pra mim:

    E vamos rezar. Já tentei de tudo, menos isso. Vejamos no que dá.



    Escrito por Falavigna às 10h41

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    Atualização do Bolão - 14ª Rodada

    Inconformado com as injustiças da vida, que me fazem errar vários jogos sempre por um gol, ofereço-lhes nosso ranking atualizado reforçando os pedidos de ajuda quanto a eventuais equívocos:

    Em minutos, meus palpites para o final de semana. Até lá.



    Escrito por Falavigna às 10h21

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    Cartão Verde, um caso malsão

    Ontem, assisti ao “Cartão Verde” todinho. Não foi a primeira vez, não será a última. Compreendo os atrativos do "Cartão". E é sobretudo por conta deles que, em minha opinião, certas características do programa conferem-lhe qualquer coisa de psicopatológico. Pelo amor de Deus, não se ofendam por precipitação. Vou chegar aonde quero, e vocês verão que não é nada pessoal. Um pouco do histórico, antes.

    A primeira versão, de 93, contava com Trajano, Flávio Prado, Juca Kfouri e Armando Nogueira. Já continha todos os elementos que fazem do programa de hoje um produto na linha das televisões fechadas; um produto destinado à gente - como direi? - de bem, não é mesmo? Funciona assim: as mesas-redondas tradicionais são pouco sérias, há nelas muito espaço para a caricatura, para o popularesco e - por que não dizer? - para a apelação. Vamos reunir aí meia dúzia de camaradas articulados, que gostem de futebol e que estejam habituados ao debate civilizado. O espectador inteligente não deve ser obrigado a aturar pessoas urrando incongruências, sem parar, umas nas orelhas das outras; temos mesmo obrigação de lhe oferecer alternativas saudáveis. Associemos tal idéia à outra idéia, a de que é possível produzir algo assim sem se perder a leveza, o desprendimento bem-humorado que não pode deixar de ser relacionado ao esporte. Sobretudo ao esporte que se transformou numa espécie de signo do espírito alegre, musical e jovial desse tipo de brasileiro tão Bossa Nova, mas tão Bossa Nova que pruridos mil tomam-lhe todo o corpo à mera menção da Caninha 51, tanto mais se interposta entre dois gols cometidos num pré-histórico campeonato estadual.

    Nada contra a Bossa Nova, eu inclusive gosto de Bossa Nova - e detesto 51. O problema é que a premissa que inspira o "Cartão Verde" já andava, à época, meio mal colocada: há, sim, gente capaz de perceber muita idiossincrasia nos programas ditos tradicionais, e de se irritar com ela. Gente que, portanto, estaria disposta a assistir a debates mais ponderados, menos pontuados de material folclórico, menos poluídos por merchandising. Isso é uma coisa. Outra coisa é encarar tal público como mais "preparado", seja lá o que isso possa querer dizer acerca de camaradas que se dispõem a assistir debates sobre a mais recente rodada do Campeonato Paulista, Gaúcho, Mineiro, Carioca ou do raio que o parta. É outra coisa porque empresta às figuras que atenderão tal público as qualidades que se atribuem a ele, o que é mais ou menos engraçado. Sejamos honestos: Flávio Prado, por exemplo, não é mais preparado para falar de futebol do que qualquer outro bacharel em direito aficionado em futebol e que goste mais de vê-lo hoje, na Gazeta, do que gostava de vê-lo na TV Cultura de 15 anos atrás. Assim, se hoje conta com a audiência deste nosso cidadão fictício, mas verossímil, não é porque tenha se tornado menos preparado - é porque havia outros cidadãos de igual preparo lhe davam pontinhos no IBOPE, ontem, por motivos que nada tinham a ver com o preparo que eles - ou Flávio Prado, ou Kfouri, ou Trajano - tiveram ou têm. Preparo é a vovozinha, entendem? Conformem-se: falar de futebol, bem o quanto seja, não é a coisa que peça mais preparo no mundo. Ouvir, muito menos. Numa área em que muitos sequer são capazes de oferecer o mínimo, pretender-se num estrato mais qualificado por conta de certo verniz barato é coisa de espertalhões. Não de gente "preparada".

    Há outros motivos para se sustentar um programa como o "Cartão Verde", motivos esses que se revelam no simples fato, indiscutível, de que o programa serviu de matriz para todos - é, todos - os programas de debate futebolístico produzidos, posteriormente, paras as opções por assinatura. Aliás, metade da mesa original do "Cartão" está na ESPN, não é mesmo?

    Em 93, o processo de tecnicização da cobertura futebolística já estava concluído, o discurso deslumbrado ante a estrutura material do futebol europeu, pronto, e o moralismo bom-mocista, antiga marca do jornalismo esportivo brasileiro, perfeitamente adaptado às necessidades da geração que se incumbiu de carregar todas essas bandeiras tidas por "modernizadoras" - rótulo que, no Brasil, equivale a uma espécie de ascensão deontológica intrinsecamente benéfica e necessariamente inevitável. Aquela velha ladainha de que o mundo anda para frente, e rápido, e de que isso é bom e inexorável.

    Todas essas características estiveram atravessando o antigo "Cartão Verde", o tempo todo. Mas, ali, havia muitos e muitos atenuantes que garantiam a palatabilidade da atração.

    O primeiro era a presença de Armando Nogueira. Sim, acho a postura romântica de Armando um tanto quanto forçada, artificial. E, com freqüência, o jornalista cai no mais rasteiro pieguismo. Mas isso tudo é matéria de gosto. Armando Nogueira é de um tempo em que o jornalismo era uma atividade séria. Ele é profissional. Ninguém é louco para vir aqui e dizer que o homem escreva mal, por exemplo - ainda que o estilo não agrade a este ou a aquele, Nogueira desenvolveu um que é dele, inconfundível, fundamentado o suficiente na tradição literária do idioma para ser capaz de render momentos inesquecíveis aos leitores. Anacrônico que é, ainda exige de seus próprios raciocínios toda a legitimidade formal que se espera de quem pretenda dizer coisas logicamente válidas e, portanto, úteis ao debate – qualquer debate. Havia entre ele e seus pares de "Cartão" um verdadeiro abismo de, ora vejam só, preparo, aliás só disfarçado pelo elemento adicional de uma educação irrepreensível que, se tais pares não podiam compreender, porque dela não participavam, também não sabiam contornar, por questões de menoridade psicológica.

    O segundo alento é que de um ambiente habitado por José Trajano não se podia - como hoje se pode menos ainda - obter nada muito parecido com a tão almejada ponderação e frieza técnica, o que terminava compensando a absurda homogeneidade de opiniões - tinta típica desses quadros pintados sobre as telas do "público diferenciado" - com algum agito que o desequilíbrio emocional (às vezes, aparentemente mental) sempre garante. Acontece nas piores famílias. Acontecia com o "Cartão". Acontece no "Linha de Passe". Nesse sentido, as personalidades de Kfouri ou Prado, conforme a época, também ofereceram qualquer coisa humana ao programa, já que ambos são muito bem-humorados até que, no caso do primeiro, se ameace discordar dele e, no do segundo, lhe pisem algum calo criado pelo atrito ou da vaidade intelectual, ou do gênio autoritário com os rumos que a vida toma. Ademais, o programa exibia bons melhores momentos, a cobertura completa dos principais jogos; as imagens sempre foram boas e os repórteres, acima da média. A direção era boa, as coisas se apresentavam em ordem, o cenário era bacana, leve. É, dava pra assistir. Juro.

    Porque, o atual, não dá mais. O horário é bom, a idéia de apanhar a oportunidade no meio da semana foi excelente - acho até que, em quintas-feiras como a de hoje, caberia uma edição extra, mais enxuta. O cenário está - como se diz por aí, pelos campos da petulância corporativa - OK. As imagens continuam boas, mas o nível das coberturas específicas caiu bastante - a repórter dessa nova versão, uma moça que ontem cobriu a Portuguesa, é a cara e o cheiro da Gazeta, para se ter uma idéia de como a coisa soa razoável. Esse e outros pequenos defeitos seriam perfeitamente ignoráveis, inclusive porque há até qualidades - como o tratamento civilizado que se dá aos convidados - não fosse por um fator que incomoda o tempo inteiro e que, para mim, chega a inspirar alguma espécie de mal-estar premonitório, a dar-me a sensação do movimento subaquático dos terríveis pesadelos. Acompanhem-me.

    O programa voltou a contar com membros fixos. São eles o apresentador Vladir Lemos, os jornalistas Vitor Birner e Xico Sá e o comentarista Sócrates, ex-jogador.

    O primeiro é correto, mas exige-se quase nada dele: como todos concordam acerca de tudo que for o principal, deixando-se as discordâncias para os termos da melhor instrumentalização possível desta ou daquela opinião em relação àquelas idéias centrais, Lemos não medeia nada. Apenas toca a coisa estampando um sorriso vidrado no rosto.

    Birner, bem, Birner não é coisa que se possa levar muito a sério, como jornalista. Como assessor da situação do São Paulo, talvez. Seu texto é ginasial. Birner utiliza as vírgulas como alguém que pretendesse temperar um prato com páprica e, por engano, espalhasse balinhas Tic-Tac sabor Tutti-Frutti por toda a panela para, depois, não perceber a diferença. Ambos, Lemos e Birner, ontem, sacaram e-mails de telespectadores que elogiam o programa pelo clima de botequim. Eu mesmo peço isso de mesas-redondas, mas desconfio que tais telespectadores freqüentem botequins mórmons, ou coisa parecida. Em toda a minha longa jornada por botecos de todos os matizes e níveis, jamais vi qualquer tipo deles capaz de abrigar conversas sobre futebol sem interpelações fora de hora, agastamentos, alguma elevação de voz e muita, muita divergência profunda, conceitual. Para piorar: outro componente, Sócrates, é um dos dois únicos partícipes em condições de freqüentar à vontade estabelecimentos desse gênero, mas por algum motivo está claro que o sujeito, a exemplo do que ocorre a inúmeros outros ex-atletas geniais, simplesmente não tem mais saco para futebol.

    Para ser sincero: Sócrates, é nítido, mal sabe quem está jogando onde, quem é quem ou o que quer que seja a respeito do que quer que demande alguma atenção. Vai ao programa a passeio. Ainda que eu repute como supervalorizada suas capacidades intelectuais, ele as tem. E é nitidamente boa-praça. Mas sua contribuição se resume ao tom pastoso dos grandes bêbados de antanho, que seria perfeito num programa em que Vitor Birner não lhe perguntasse - por brincadeira ou não, não duvido de mais nada (pareceu-me sério, inclusive) - se ele esteve em campo quando Fabinho anotou um gol de mão em Santo André, na primeira metade dos anos 90. Afora a curiosidade psicanalítica oriunda do fato de Birner precisar ter ido tão longe para encontrar um gol anotado com a mão e vergonhosamente validado, o resultado desse tipo de companhia é que Sócrates vai de um assunto a outro sem concluir nenhuma idéia útil. Como também parece sempre feliz e sorridente, soma-se sua alegria alheada à atmosfera repleta de qualquer coisa à base de Ritalina e que faz o "Cartão Verde" parecer um colóquio dos Depressivos Anônimos, todos empenhados em contaminar a todos com aquela alegria laboratorial de rostos suados e sorrisos armados em aço.

    Birner, por exemplo, não consegue emitir qualquer opinião sem sustentar um arco mecânico nos lábios, mostrar-nos os dentes e franzir o cenho em sinal de jovialidade achada no manual, página 54, capítulo 5, "De Como o Futebol Pode Ser um Assunto Super de Gente Boa, Mesmo se Você For Paulista". Ontem, salvou o programa da grosseria suprema de não oferecer os pêsames à família de Bindi, mas nem nessa hora soube se livrar da máscara de hilaridade - sentimento que, certamente, não era o seu diante da morte do amigo e do pesar da família.

    De que diabos Vladir acha tanta graça, que não pode dizer nada sem aquela risadinha limítrofe nos lábios? Eu não sei, mas depois que ele nos exibiu os seis gols de Fluminense e Vasco, no final do programa, e não se deu ao trabalho de identificar mais da metade dos autores deles, não vejo como encontrou tempo para exibir ares fabricados de final de tarde, o solzinho caindo no meio da tardinha regada a chopinho. Aliás, o tratamento dos jogos é mesmo superficial, o que é imperdoável.

    Xico Sá? É, esse é engraçado. E inteligente. Mas está ali para fazer o papel de Cacá Rosset do Bem. Não tem o mínimo interesse em dizer nada sério, e sua presença revela certo traço monomaníaco da produção do programa: se era para ser "uma maneira diferente de interpretar o futebol", seja lá que porcaria signifique tal slogan, se era para dar um tratamento sério à coisa, ainda que bem-humorado, por que precisamos de um Xico Sá de verdade ladeado por dois de mentira?

    Isso tudo, mais aquela moça que me parece saída da mais profunda Mooca e que esteve ontem, no Canindé, fazendo as vezes de repórter, entrevistando as figuras mais marcianas que encontrou - algo assim muito empático, afinal - e entregando todos os sorrisos e toda a alegria previstos no prospecto, foi mais do que o suficiente para me infligir forte desconforto mental, espiritual e até mesmo físico.

    Que eu devolvo agora, vomitando três vezes lá em cima. E, pensando bem, três aqui embaixo também, que é pra caprichar:

    Meus caros, fica por isso. Restam-nos os canais fechados. Comecemos pelo SporTV e seu imenso cardápio de mesas-redondas. Até lá.



    Escrito por Falavigna às 10h09
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    Quarta é dia de Comunique-se

    Tirado do castigo - de volta à capa, portanto - e oferecendo algo de que não há por que se envergonhar. Como vocês bem sabem, para quem tiver cadastro, para quem tiver paciência de se cadastrar e sobretudo a quem interessar possa, nesta semana estou aqui.

    Bom proveito.

     



    Escrito por Falavigna às 14h41
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    Bolão Brasileirão - 14ª Rodada

    Naquelas de torcer mais pelo Palmeiras do que por mim mesmo, passo a palpitar:

    E é isso aí. Sem rodeios. Vamos ver no que dá. Outra coisa: o Manoel Pinto Filho enviou-me seus palpites por e-mail, mas eu não os estava computando. Corrijo na próxima parcial.



    Escrito por Falavigna às 17h05
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    Melhorou, hein?

    É com alívio que a humanidade recebe o novo cenário do 3º Tempo, da Bandeirantes. Não quero saber de bom gosto: quero é que as coisas ornem mais com sua essência do que com a moda, item altamente assessório no que toca à tudo o que importa de verdade. E o cenário novo é um cenário que a gente pode muito bem entender.

     



    Escrito por Falavigna às 17h56
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    Mais brasileiro, impossível

    Se há duas características típicas do pensamento brasileiro que já me forçaram a notar com mais clareza, são o apego à sonoridade das palavras em detrimento de seu sentido e das conseqüências lógicas de sua aplicação, e a entrega irracional às soluções supostamente pragmáticas - sobretudo quando assim soam - que, no fundo, consistem justamente no agravamento dos problemas que se quer ver sanados.

    LANCE!, acho que domingo; Marcelo Damato.

    Freqüentemente, discordo das coisas que Damato diz. Sua coluna acerca do prejuízo que o São Paulo sofre por conta da inépcia dos rivais é uma pérola de ignorância administrativa - ele acha que a concorrência, com seus malditos concorrentes, não faz parte do conjunto de dados necessários à avaliação correta dos fatos nos quais os planejamentos devem ser baseados - e, assim, mesmo os negócios bons que o São Paulo deixa de fazer são frutos ou dos méritos do clube, ou dos deméritos dos adversários. Surreal.

    Freqüentemente, concordo com Marcelo Damato - ele não diz nada sem explicar o porquê, ainda que, muitas vezes, partindo dos mesmos porquês cheguemos a conclusões opostas.

    Mas, neste caso, Damato nos oferece um exemplo clássico dum dos maiores vícios instalados na mentalidade nacional: a mania de sugerir - e, muitas vezes, levar a cabo - o sacrifício do boi como alternativa à incômoda existência do carrapato. Ele nos pergunta quem é mais atleticano: aquele que deseja a queda da equipe, desgraça capaz de, talvez, afastar Ziza Valadares do comando do clube, ou aquele que torce pela manutenção da equipe na série A e, portanto, arrisca-se a colaborar com o mal maior, qual seja, Ziza Valadares. Cita o exemplo do Corinthians e atribui, equivocado, o afastamento de Dualib ao rebaixamento corintiano. Como se vê, um poderoso coquetel de imprecisões, inferências absurdas e lacunas oportuníssimas.

    Para começo de conversa, Damato mesmo reconhece que o rebaixamento não é evento que implique substituição do comando, tanto que cita o próprio caso de... Ziza Valadares! Alarmado, ajudo-lhe citando o de Mustafá Contoursi. Adendo: diferentemente do que o colunista sugere, Dualib caiu antes de o Corinthians ser rebaixado, em decorrência de descalabros que fazem a administração Ziza parecer-se com a da Oracle. Mais grave: por pouco, a equipe de Parque São Jorge não cai. Adicione-se, a esses fatos, a forte impressão de que o Corinthians, na série A de hoje, estaria ao menos brigando por vaga na Sul-americana. Como é que, nessas condições, cair pode ter sido bom? O Palmeiras caiu, não se livrou do presidente e, no ano seguinte ao acesso, obteve vaga para a Libertadores com uma equipe inferior a que utilizara para subir. Será que não ocorre a Damato que cair duas vezes em tão pouco tempo pode causar mais danos ao Atlético do que causaria aturar Ziza por mais algum tempo? Pior: qual a sugestão de Marcelo para a cadeira de presidente do Galo? Mais do que isso: o que ele conhece da política atleticana?

    Se alguém tiver dúvidas acerca do despropósito da coisa, responda-me antes o seguinte: por que cargas d'água os atleticanos deveriam se abster de torcer pela equipe enquanto cuidam de substituir um mau presidente - se é que isso é mesmo necessário, neste exato momento? Por preguiça de tentar o mais correto, tão mais trabalhoso quanto o mais correto costuma ser? Ou por apego ao discurso melhor alinhadinho aos modismos mais melódicos da hora?

    Por exemplo, porque este exemplo é muito apropriado: se o Corinthians não tivesse caído, não teria ainda assim se livrado de Dualib - como, aliás, de fato se livrou sem ainda ter caído? Não haveria outros meios de unir a torcida em torno de outra idéia que não a do acesso? Mais uma questão: Sanchez é muito melhor do que Dualib, de verdade? Sim, por que se não for (afinal, ambos vieram do mesmo saco de farinha suspeita) cair terá sido, mesmo sob a estranha ótica damatiana, a coisa mais deletéria que já ocorreu a qualquer clube brasileiro. Por que a torcida atleticana seria mais atleticana se aceitasse correr risco semelhante, qual seja, o de apostar na queda só para depois trocar seis por meia dúzia? Para fazer cumprir as profecias bem pensantes da croniquinha? Para agradar à crítica fanática? O pior é que há quem caia nessa ladainha, acreditando que o inimigo parará de avançar ao centro à força de concessões laterais. Algo assim como uma pizza meia Chamberlain, meia Pétain. 

    É o tipo de raciocínio que o camarada não pode defender a sério, a não ser por vaidade intelectual - coisa para com a qual não posso ter, em relação aos outros, mais paciência do que aquela que ofereço a mim mesmo.

    São episódios assim que batizaram este blog.



    Escrito por Falavigna às 11h58

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    Atualização do Bolão - 13ª Rodada

    Feitas as correções de pontuação relacionadas a outras rodadas, continuo contando com a ajuda de vocês para esta (e para as próximas). Após uma rodada em que alguém ameaça disparar, ficamos assim:

    Em breve, algo sobre um texto - como direi? - paradigmático de Marcelo Damato.



    Escrito por Falavigna às 11h16
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    Bolão Brasileirão - 13ª Rodada

    Entrando em ritmo de competição e preparando-me para o finalzão de semana, vamos lá:

    E a Loteca acumulou, de novo. Vai a cerca de R$ 2.000.000,00, agora. Os bons, comigo. 



    Escrito por Falavigna às 11h43
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    Atualização do Bolão - 12ª Rodada

    Não quero me animar muito, mas acho que posso, ainda, chegar. Sabe como é. Campeonato de pontos corridos... Salvo engano, ficamos assim:

    Em breve, meus palpites para a próxima rodada. E já brigando pela Libertadores...



    Escrito por Falavigna às 11h16
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    Grossa Palhaçada

    Talvez fosse mais prudente não citar o nome do clube, mas só leituras muito predispostas poderiam interpretar a declaração de Luxemburgo acerca das atuais situações de Palmeiras e Santos como algo cuja intenção fosse depreciar a imagem do time da baixada. O Santos está na rabeira do campeonato, o Palmeiras em 5º. Luxemburgo reclamou que o Palmeiras passou a ser tratado pela imprensa, do dia para a noite, como se estivesse na mesma situação do Santos.

    Esse tipo de comparação é a coisa mais natural do mundo. E, não, não se trata de distorcê-la para vender jornal: o Lance! não vendeu nenhum número a mais por conta de tal palhaçada. E sim, tratou-se de distorção: realçar certos ângulos e cores em detrimento não só de outros, mas do contexto que oferece o quadro completo, é literalmente distorcer.

    Acontece que toda distorção tem seu objetivo. Às vezes, o negócio é esconder celulite. Às vezes, é vender revista pornográfica - ou séria (às vezes, tanto faz). O Lance!, sempre me pareceu, bem que gostaria de enfiar umas nudezas ali. Acho, inclusive, que só não as enfia de vez porque acredita que, por enquanto, não haja clima - não somos assim tão mudernos, compreende?

    Bom, mas e por que, desta vez? Vender é que não foi o motivo - o fato era tíbio demais. Então, o que teria sido? Ora, escapou. Foi só mais uma incursão ativista, na linha do "enquanto a gente finge que acredita em jornalismo, vamos aproveitando para dar aquela nossa contribuição ideológica ao processo de purificação ética do futebol". Enfim: distorceram por esporte dizendo que o faziam pelo esporte. Sacanagem, falta de profissionalismo, baixaria.

    Coisa fina mesmo. Luxemburgo não é santo, mas seus algozes são de doer. O Brasil vai se tornando algo que quando ouço alguém clamar por ética já penso no sanduíche de pernil do Mané, sei lá eu por conta de qual associação maluca.

    E olha que é meu sanduíche favorito, hein?



    Escrito por Falavigna às 16h09

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    Quarta é dia de Comunique-se

    Aproveitei um texto de um post antigo, ampliei e deu nisto aqui. Só que a versão final não era esta, e por algum motivo o Literário publicou outra que está sem certos arranjos que, na minha opinião, melhorariam sobremaneira a coisa - e que fazem parte da final.

    Ainda assim, é aquilo lá: para quem tiver cadastro, para quem tiver paciência de se cadastrar e sobretudo a quem interessar possa. Se, por milagre, surgirem interessados na versão final, publico-a também neste blog.

     



    Escrito por Falavigna às 15h12

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    Bolão Brasileirão - 12ª Rodada

    Vamos tentando evitar o desespero. A seguir, meus palpites. Antes, uma explicação: não tenho podido postar textos por pura falta de tempo. Até com o Comunique-se tive que furar, semana passada. Hoje, estarei lá. Espero poder vir com a sacanagem com o Cartão Verde o mais rapidamente possível, que é para chegar logo à televisão fechada. Aí vamos nós:

    Espero, ainda, reverter essa situação, porque trabalhei muito esta semana e estou dando duro na competição, e... Aquela tralha toda. Até daqui a pouco, com a indicação do Comunique-se (isso depende deles, também) e, quem sabe, com algo mais.



    Escrito por Falavigna às 10h42
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    Atualização do Bolão - 11ª Rodada

    Foi uma desgraça, para mim. Pelo menos, o Ademir se estrepou também. Ficamos assim:

    Os palpites, daqui a pouco. E algumas explicações.



    Escrito por Falavigna às 10h30
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    Sem comentários, mas comentando

    Um favor: todos os comentários utilizados após a primeira partida semifinal do Paulista deste ano, ou ao menos aqueles dos quais discordei por conta do tom na descrição dos fatos: utilizem-nos agora, para retratar a peleja de ontem. Porque ontem, ontem sim o Palmeiras foi dominado, Valdívia completamente anulado e o São Paulo, mais perigoso o tempo todo - aliás, o Palmeiras sequer chegou a ser perigoso de verdade. Se, por um desses azares que são parte da essência do jogo, a bola de Éder Luís não tivesse batido em Martinez, o placar talvez acabasse empatado. E, então, hoje, não veríamos o jogo comentado de acordo com o jogo, e sim conforme o resultado - provavelmente, nos diriam que o primeiro tempo fora do São Paulo, o segundo do Palmeiras. É triste, mas seria assim. Como o São Paulo venceu, estão todos livres para analisar a realidade no lugar de ajustá-la às teorias mais bem sonantes da hora.

    De minha parte, gostaria de tecer poucas, mas necessárias observações:

    1. Diego Souza saiu por quê? No primeiro tempo, era um dos poucos que se apresentava para o jogo; no segundo, era o jogador mais incisivo da equipe. Foi cansaço?
    2. Dagoberto vai estrear? Já vi o São Paulo saber aproveitar muita gente utilizando-se, dentre outras coisas, da devida paciência (Careca e Raí são os exemplos mais comuns), mas Dagoberto tem ultrapassado todos os limites aceitáveis. Não porque jogue mal - no mínimo, não está jogando bem - mas porque não consegue agir de maneira adulta, séria. A simulação de penal, no segundo tempo, não merecia cartão - merecia era uma cintada na bunda.
    3. O São Paulo foi tão superior que até André Dias jogou bem. Não falo pelo gol, mas pela atuação como zagueiro, mesmo. Gol, até o Jéci - que foi mal e talvez seja ruim (não gosto de afirmar esse tipo de coisa depois de ver o cara jogar só três partidas, já vi muita gente passar vergonha por agir assim ou, pior, insistir no erro só para não dar o braço a torcer - remember Roque Junior) fez. André foi melhor que os atacantes do Palmeiras por baixo, pelo alto, na técnica e na força. Duvido que consiga sustentar esse nível durante longos períodos, mas é inegável que, desta vez, jogou como se tivesse razão a respeito de si.
    4. Luxemburgo foi pego de surpresa sim, mas houve tempo de sobra para corrigir o rumo que as coisas, nitidamente, estavam tomando. Só não sei como isso seria possível com os jogadores deixando para entrar no clima trinta minutos após o jogo ter se iniciado. E já é a terceira vez seguida que acontece. E, por essa atitude da equipe, Luxemburgo deve ser mais cobrado do que pela eventual pegadinha na qual caiu, qual seja: Muricy pôs o São Paulo para atacar e marcar pressão, no lugar de, como de hábito, atrair o adversário para seu campo para, depois, apanhá-lo de calças curtas. Esse tipo de coisa o treinador palmeirense tem recursos, humanos inclusive, para contornar durante o jogo, desde que tenha mantido as coisas em ordem antes do jogo. Que, pego de surpresa, o Palmeiras tivesse sido derrotado, mas oferecendo resistência. Não se trata de dizer assim: Ah, mas o São Paulo não deixou. Os times são suficientemente equilibrados para que nenhum dos dois obtenha esse efeito sem certa dose de incompetência do outro.

    O campeonato está no início, é verdade. Mas se o Palmeiras tivesse vencido o Figueirense em casa (perder para o São Paulo, no Morumbi, não pode ser o fim do mundo), estaríamos todos mais calmos. Do jeito como está indo, não vai dar pé. Dificilmente continua assim, isso lá é. Mas talvez tenhamos que passar nervoso - ou até tristeza - sem muita necessidade, lá na frente. É hora de tomar jeito.



    Escrito por Falavigna às 10h22
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    Bolão Brasileirão - 11ª Rodada

    Para falar a verdade, não estou muito preocupado com no que estes palpites, desta rodada, vão dar. Estou é interessado em saber como nos haveremos com eles. Em todo o caso, aí vamos nós:

    E vamos lá. Se houver tempo, espicaço alguém. Estava louco pra escrever espicaçar.



    Escrito por Falavigna às 10h05
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    Atualização do Bolão - 10ª Rodada - Ou seria "péssima" rodada?

    Não sei se fico mais irritado com o empate de ontem ou com minhas más companhias, depois desta rodada. Vejam só:

    Em breve, meus palpites para a próxima rodada. E textos, acho que posto sábado ou domingo. A coisa anda dura para este pobre trabalhador.

     



    Escrito por Falavigna às 09h12
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    Bolão Brasileirão - 10ª Rodada

    Quinta-feira, volto aos textos. O Cartão Verde é amanhã, certo? Haver-nos-emos com eles. Por enquanto, os palpites que vão começar a virar este jogo:

    Meninos, eu vi. Vou começar passando à frente do Ademir, que me esculachou em seu blog (daqui, não posso comentar em blogspots, donde tenho sido prejudicado por lá e no Cruz de Savóia). Depois, vou engolir todo mundo. Isso, acordei cheio de metáforas. Preciso de um trago.



    Escrito por Falavigna às 11h35

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    Atualização do Bolão - 9ª Rodada - Barbaridade!

    Todo mundo indo mal, e o líder pega e dispara. É, como diz o outro, o inferno das égua pioienta! Ficamos assim:

    Em todo caso, já sabem: corrijam-me, se necessário. Se bem que acho que, agora, estamos em ordem. Em breve, muitíssimo em breve: meus palpites para a 10ª rodada.



    Escrito por Falavigna às 11h19
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    Bolão Brasileirão - 9ª Rodada

    Antes de mais nada: as próximas correções de pontos, como a do palpiteiro Rafael Evangelista, serão feitas na próxima rodada. Aqui vão meus palpites para esta:

    Rodadinha complicada, hein? A graça do Brasileirão é que todas são assim. E a Loteca está acumulada, deve dar mais de R$ 800.000,00. Eu vou atrás.



    Escrito por Falavigna às 09h32
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    Notas Desconexas

    Coisa triste, ontem à noite. É a puta da vida. Acontece. O pior, sob a ótica de torcedor palmeirense, é que por um desses mecanismos inaferíveis, mas também inegáveis, o ocorrido dá moral ao Flamengo - adversário direto na briga pelo Brasileirão.

    Ao Pedro, leitor fiel deste blog: li a nota de Kfouri e estava mesmo pensando em comentá-la. Achei meio maluca, por dois motivos:

    1. Juca tem a mania de tentar presumir, pela televisão, certas coisas que só se pode verificar, na maioria das vezes, ao vivo: reações das torcidas, predominância, em ânimo ou quantidade, de uma torcida sobre outra etc. Enfim, todas aquelas coisas que uma transmissão televisiva pode, voluntariamente ou não, distorcer. É sua faceta concheta. Nessas horas, ele me faz lembrar da minha mãe. Para vocês verem como me soa esquisito.
    2. Supondo-se que esteja certo neste caso - vai saber - restam duas observações que não sei como relacionar, mas também não sei como separar: em primeiro lugar, por mais que seja engraçado espantar-se com alguma elitização numa partida do Fluminense, essa graça não seria decorrente de outra coisa que não puro preconceito, pois a torcida do Fluminense é tão (ou no mínimo quase) mestiça quanto o é o país todo e, portanto, a ausência de negros (no lugar dele, insisto, eu diria mestiços) seria mesmo de espantar; e nisso Juca está correto; em segundo lugar, os mestiços brasileiros, compondo o grupo étnico mais numeroso, dificilmente deixariam de representar a classe social mais numerosa - que é a dos pobres. Nesse ponto, é cômico ver a imprensa rezar a cartilha da modernização globalista de nossos clubes para, depois, lamentar os efeitos mais diretos desse processo, quais sejam, o encarecimento dos custos necessários para se torcer ao vivo e o conseqüente afastamento, das praças esportivas, daquela parcela da população que mais gosta e mais contribui com o futebol: os pobres, na sua maior parte mestiços, ora vejam só. Só pode ser esquizofrenia. Na veia.

    Para encerrar: na semana que vem, a análise do Cartão Verde. Lá pela quinta-feira. Depois, à TV fechada. Quem viver, verá.



    Escrito por Falavigna às 12h36
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    Espernear não ajuda

    Ora, ora, ora, mas que beleza. A mulher despirocou. Eu sei, eu sei. Se a gente lembra, de passagem, que ela é mulher, já lhe oferece de pronto todo o arsenal disponível na armaria militante, e de uma vez só. Se o faço, é porque conheço o tipo: ela não resiste à tentação de gastá-lo todo assim, sem dar sinal de que vá precisar de reservas para mais tarde. É muita autoconfiança, mesmo, ainda que no esteio de certa cara-de-pau. A simulação de ofensa se baseia na hipótese segundo a qual, caso ela fosse homem, pudesse reagir ao mundo exatamente da mesma forma como reage sendo mulher. Não é lá uma afirmação muito séria. Mais grave: a fim de que tudo fizesse sentido, teríamos todos que nos fazer de machistas e, então, acreditar que apenas mulheres possam ser objeto daquelas chacotas nas quais se atribui certos comportamentos abilolados a desequilíbrios hormonais. Para quem parece nunca ter ouvido falar, por exemplo, de andropausa, Marília Ruiz tem testosterona - como direi? - a dar com pau.

    Eu não voltaria ao assunto se a moça não insistisse tanto em oferecer a cara à tapa.

    Cronologicamente: Marília é famosa por fazer de sua coluna um banquinho de cima do qual desanca Deus e o mundo, não necessariamente nesta ordem. Com freqüência, entrega-se a ironias nas quais seus principais alvos são o que nos outros lhe soa como falta de disposição para a sinceridade e tendência ao embuste fantasioso, ou até ao desrespeito à inteligência dos outros - sobretudo à dela, Marília Ruiz. Quanto a este fato, ou seja, quanto ao tom da jornalista e seus principais objetos de interesse, é bom não haver provocações: meia hora de pesquisa na internet é o suficiente para desmoralizar qualquer desmentido, estridente o quanto seja. Ora, todo mundo nota: a criatura acredita que, para vencer num universo repleto de machos dominantes, deva sair por aí urinando em postes e marcando território. Mais démodé, impossível. Como diria o outro, muito que bem.

    Semana passada, e isso a tomando por pessoa honesta (nada indica o contrário, aliás), Marília soltou uma crônica na qual, muito mais ao seu próprio estilo do que ela gostaria, listava diversas afirmações exacerbadas cujo mote comum era o Fluminense. A intenção, depois manifestada pela autora, era homenagear o finalista da Libertadores à moda de Nelson Rodrigues, figura visceralmente identificada ao clube. Bom, foi desastroso. Marília não conseguiu emular Nelson. Não conseguiu reproduzir as cores, o sabor da crônica de Nelson Rodrigues, inclusive porque só o que fez foi transportar afirmações que se poderiam supor rodrigueanas para aquela redação colegial com a qual nos habituou. Pior: assumindo-se que Ruiz tenha lido (e gostado) de Nelson Rodrigues, a gente fica com a impressão de que ela ouviu o galo cantar, mas não sabe onde. Ao longo de toda vida, Ruiz não desenvolveu qualquer coisa parecida com um estilo. A imitação é o recurso com o qual se engatinha nessa estrada, e um dos motivos pelos quais Marília Ruiz se expressa mal por escrito é que ela não sabe sequer imitar quem o faça bem. Só poderia dar no que deu. Desceram-lhe o cacete, com vigor e ternura, inclusive aqui.

    Bom, mas ela achou por bem - no que concordo - responder às reações negativas. Às vezes, a gente se vê obrigado a fazer esclarecimentos porque os outros são burros. Às vezes, é porque os burros somos nós. Na opinião de Marília, os burros somos nós - ou, ao menos, fomos nós. Ela postou uma resposta padrão lá em seu blog, no LANCENET!, e também em resposta ao meu post que abordava o tema, neste blog. Não sei se o fez em outros sites. Também, não me interessa. Já tinha encerrado os trabalhos, mas a mulher é muito forte. Hoje, voltou à carga. Não satisfeita em responder, no atacado e no varejo, aos críticos da semana passada, escreveu outra de suas coluna furiosas, desta vez deixando claro o quanto lhe é estranha a fúria alheia. Convenientemente, desta vez não se reproduziu (pelo menos até o momento), como sempre se reproduz, na Web, a coluna que nos chega impressa. Isso dificulta o tratamento da coisa, mas não o impede. Marília barbarizando o idioma em cor-de-rosa, a gente fazendo o que pode em azul (porque sou gentil e antiquado, macacada):

    "Amanhã, vai ser outro dia

    O que é que há com os leitores de futebol? Ou os "idiotas da objetivade" infectaram todo o bom humor alheio? (Marília Ruiz apelando ao bom humor alheio é algo como Napoleão apelando à modéstia dos soberanos europeus. E, se a jornalista acha que "todo" o bom humor foi infectado, eu me pergunto: será que não seria mais razoável supor que ela, Marília, simplesmente errou a mão e que, portanto, o vírus infectante não está no humor dos outros e sim na imagem que ela projeta de si?)

    Na semana passada destilei aqui todo o meu (inexistente) fanatismo tricolor por causa da primeira partida final da Libertadores. (Ahá! Eu bem que disse que havia bebida nessa história. Não satisfeita com as analogias de ordem biológica - aliás, bem colocadas a não mais poder, não é mesmo? - Ruiz parte para os domínios da química e transforma o fanatismo que ela não tem em bebida forte. Deve ser isso que nos deixou tontos)

    Exagerei, adjetivei... Até menti para melhor render as merecidas homenagens ao time do rodrigueano Renato Gaúcho. Mas, claro, "os imbecis de plantão" (Opa, chegou em mim - eu sou um deles!) foram implacáveis. (Implacáveis, os outros? Marília ainda não sabe, mas deveria deixar Nelson Rodrigues de lado e passar logo para Sartre - o inferno dela somos nós, os "leitores de futebol". É, leitores de futebol, coisa que ainda não entendi bem o que signifique. Talvez pratiquemos a leitura de futebol como se pratica por aí a de cartas ou mãos, de modo que sejamos todos algo como ludopediomancistas. Prevejo su-ces-so na carreira de Ma-rí-lia!) Acharam-me tresloucada, desequilibrada, mulherzinha (claro!)... Que audácia "dessazinha"... comparar o atual elenco do Flu com os grandes do futebol? (Tresloucada ou desequilibrada, ainda não sei, mas sabichona é. Porque parte das queixas consistiu em tomar o texto dela por mais uma de suas ironias azedas ou, ainda, por uma patética tentativa de originalidade. Se, em outros casos, os motivos alegados foram diferentes, ela não deveria dar - como de fato deu - a mesma resposta a todos)

    Senhores, por favor, quanta ranhetice! (Deus meu! Os outros são ranhetas! Os outros! Tirem os destilados da mesa!)

    Não é Fernando Henrique Lee Yashin! (Quem é esse? Uma aranha negra de jeans? Chamem Cláudia Ohana! Opa, espera lá: fui machista ou simplesmente baixo? Na dúvida, fico com ambos) Não é Washington Ronaldo (na época fenomenal)! Ou Renato Gaúcho, Rinnus Mitchel!

    Mas o momento é de exageros superlativos. Até os mortos vão ao Maracanã hoje. (Ei, olha ela aí de novo. Agora que a gente já sabe que só o que ela quer, quando apronta dessas, é fazer-nos lembrar de Nelson Rodrigues, podemos lhe dizer sem pejo: está fraco, muito fraco. Faltam os fumos de cerimônia, a carga nas tintas que conferem caráter épico ao episódio do qual se está falando. Reparei que um dos problemas de Ruiz com o texto rodrigueano é que ela acha que ele está de brincadeira quando diz coisas como "Tricolores:vivos ou mortos, saiam de suas casas ou tumbas. Chegou a grande hora". Daí que confira à sua homenagem essa aparência ascética, pastosa, na qual só se pode ler Marília Ruiz, reconhecer Marília Ruiz e, portanto, pressentir imprecações contra tudo e todos - que é como Marília Ruiz acha que vai deixar os postes mais marcadamente fedidos)

    Daí em diante, não há nada muito mais interessante, ou que nos diga respeito. Em resumo, bons agouros para o tricolor carioca, no que acompanho a colunista. Já disse por que vou torcer pelo Fluminense e, mesmo que por razões diferentes, parece que estamos todos de acordo. Não vou estragar meu dia prolongando-me com uma criancice dessas. O que dizer? Ora, Ruiz não deve ser má pessoa, e no fundo, lá no fundo, deve saber que seu texto mereceu mesmo quatro ou cinco cacetadas. Qualquer panaca consegue escrever decentemente. O único problema é que, para tanto, o sujeito tem que ler bastante, e com calma, e os clássicos - aquela lengalenga de sempre, que guarda todas suas qualidades e defeitos no mesmo ponto: é tudo verdade. É, Dona. Acho melhor começar. E rápido.



    Escrito por Falavigna às 10h47

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