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Bolão Brasileirão - 23ª Rodada

Desconfiado dos meus próprios palpites, passo a eles sem mais delongas ou explicações:

E seja o que Deus quiser. O resultado do Bolão das Olimpíadas, dentro em breve. Até lá.
Escrito por Falavigna às 09h53
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Esquizofrenia ou Cara-de-Pau?
    
O tratamento que nossa imprensa dá à Sul-Americana talvez seja a marca mais emblemática de o quanto os componentes dessa – como direi? – corporação de ofício podem nos deixar confusos. A gente fica sem saber se alguns desses camaradas - muitos deles, aliás - são meros doentes mentais a quem deveríamos oferecer auxílio clínico ou apenas caras-de-pau que, além de desprovidos de qualquer senso do ridículo, acreditam firmemente na hipótese de que soframos todos de amnésia – merecedores, portanto, apenas de chapuletadas verbais. Vamos brincar de cruzar argumentos. É divertido. Não vou citar nomes porque a coisa está de tal maneira espargida que já não se pode mais atribuí-la a entes individuais, coisa que, inclusive, a maioria de nossos amiguinhos não faz a menor questão de ser, como se pode depreender das demonstrações constantes do espírito de alcatéia que fez e faz a boa fama da categoria. Adelante. As idéias expostas abaixo fazem parte, todas elas, da cartilha. Resta saber como podem viver juntas nas mesmas cabecinhas sapecas:
- O futebol europeu oferece-nos um modelo quase que definitivo de administração: os clubes dificilmente ficam desocupados e têm, o ano inteiro, oportunidades de gerar receitas. Vejam vocês que um dos atrativos dos campeonatos disputados por pontos corridos é que muitas disputas são travadas dentro do torneio. Além da briga pelo título, há que se lutar pela oportunidade de disputar a Champions League, pela oportunidade de disputar a Copa da UEFA e, por último, para evitar o descenço. Há, ainda, as Copas nacionais que, se a exemplo da Copa da UEFA, não oferecem vaga na Champions League, ao menos significam prestígio, divisas e fortalecem os clubes mediante o incremento que proporcionam às suas histórias. E tudo isso aí gera dinheiro, é uma beleza: os clubes vão ficando cada vez mais ricos e cada vez mais expandem seus campos de influência. Temos que aprender essas lições, ora bolas.
- Essa Sul-Americana é uma merda, a exemplo do que foi a Mercosul (cujos prêmios, diga-se, eram superiores aos da Libertadores). Só serve pra ganhar dinheiro e nem dá vaga pra Libertadores - ninguém se importa com ela.
- O campeonato de pontos corridos, no Brasil, é a coisa mais fofa do mundo: agora os times brigam pelo título, pela vaga na Libertadores, pela vaga na Sul-Americana e para não cair!
- Os clubes argentinos são a coisa mais fofa do mundo, levam todos os torneios a sério. O Boca e o Arsenal vão disputar a Recopa Sul-Americana e estão levando a coisa suuuuper-hiper a sério; o Boca escalou o Riquelme, vai ser aquela festa. Já os brasileiros, francamente, que vergonha. Quando vêem que não vão abocanhar nenhuma das vagas para a Libertadores ficam dizendo que, ao menos, disputarão a Sul-Americana. Daí, quando chega a hora de jogar o torneio, aparecem com essa historinha de que trata-se de uma merda que nem vaga para a Libertadores dá. Tsc, tsc.
- Olha que beleza, os estádios lotados por todo o continente para assistir à Sul-Americana, e os clubes brasileiros a desprezando. Vergonha, vergonha.
- Essa Sul-Americana, vou dizer uma coisa: é uma merda, hein? Nem dá vaga para a Libertadores, os clubes têm mesmo é que se concentrar no Brasileirão, bem mais importante que esse caça-níqueis que, aliás, nem dá vaga para a Libertadores.
- Olha que inveja, na Europa o pessoal está fazendo a final da Copa da Uefa - todo mundo se matando para ser campeão, algo que renderá honra e euros. Isso sim é que é levar as coisas com profissionalismo.
- O São Paulo faz muito bem de entrar com o time todo reserva, afinal tem de garantir sua vaga na Libertadores e essa Sul-Americana não passa dum caça-níqueis que nem dá vaga para a Libertadores. A vida não é só dinheiro, gente, por favor.
- Olha, esses times brasileiros ficam entrando com os reservas na Sul-Americana, que sacanagem. Por isso as torcidas não se ligam no torneio que, apesar de não dar vaga na Libertadores, dá prestígio e dinheiro. Vejam vocês que o Boca, a exemplo dos clubes europeus, não a despreza e se orgulha de ser um de seus campeões. Isso sim é ter uma visão diferenciada do futebol. Francamente, hein?
- Olha, das duas uma: ou os clubes entram de cabeça na Sul-America, ou pelo menos usam o torneio para testar seus jovens valores. O que não dá é pra fica no meio termo, sem se decidir se o torneio é importante, ou não.
Observem o seguinte: não importa a nossa opinião acerca de nenhum dos itens acima. Eu tenho a mesma sobre o campeonato de pontos corridos, mas dane-se. O que interessa é que, tendo tal opinião, não posso sair por aí achincalhando a Sul-Americana. E também não posso achincalhar a Sul-Americana e lamentar pelo fato de que os clubes, concordando comigo, desprezem-na. E também não posso cobrir a Sul-Americana atribuindo-lhe a mesma importância que atribuo às minhas cuecas sujas para, depois, colocar nos clubes a culpa pelo desprezo que as torcidas, quanto à competição, revelam. Muitíssimo menos posso, quando noto que meu empregador gastou dinheiro para transmitir o torneio e está mezzo puto com minha atitude olímpica, transferir para os clubes o ônus gerado pelo desdém que eu mesmo ajudei a inocular neles, na torcida deles e em meus colegas cujos patrões não compraram aqueles malditos direitos de transmissão. Nada disso me é possível, a não ser que eu me entregue a uma, e somente uma, de duas, e somente duas hipóteses admissíveis, quais sejam, a) sou mais do que burro, sou é esquizofrênico e, portanto, não posso responder pelo que falo, razão pela qual deveria manter-me calado; ou b) não presto, mesmo, de verdade, não passo de um mau-caráter e os senhores que tomem as providências que julgarem cabíveis, se puderem.
Tertium non datur.
Mais uma daquelas que justificam, com gosto, o nome deste blog.
Escrito por Falavigna às 10h57
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Quarta é dia de Comunique-se
    
E ontem foi aniversário do Palmeiras. Por isso, para quem tiver cadastro ou paciência de se cadastrar e, sobretudo, a quem interessar possa - notadamente se esse alguém for palmeirense - nesta semana estou aqui, muito ansioso para ver no que deu o que escrevi desta vez.
Escrito por Falavigna às 13h44
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Atualização do Bolão - 22ª Rodada
  
Mantendo-me entre os 10 primeiros, e avançando. Creio ter devolvido os pontos que havia tomado de alguns palpiteiros, semana passada. Mas confirmem. Acho que estamos assim:

Ainda nesta semana, o resultado final do Bolão das Olimpíadas. E os palpites da 23ª rodada. E o link para o "Literário", do Comunique-se. E o que mais der. Até lá.
Escrito por Falavigna às 10h52
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Ah, se fosse outro...
  
Nos últimos três anos, o Palmeiras sofreu com problemas para honrar a folha. O clube chegou a criar endividamento para saldar esses compromissos. Muito superficialmente, pode-se dizer que tais eventos vêm ocorrendo de maneira pontual, mas com mais freqüência do que seria de se esperar. Entre Sacomani e Contoursi, não se tem notícia de nada parecido - ao menos nada tão importante que possa, sem grande esforço, ser trazido à memória. Pois bem. Esta aí uma informação.
De toda forma, as condições em que operam nossos clubes, hoje, são muito específicas - e anda difícil para qualquer deles manter-se em boa posição material sem vender jogadores. Ninguém - ninguém mesmo - tem produzido esse milagre. Como as equipes vivem de títulos (são eles que geram exposição e receita, além de bilheteria), às vezes são obrigadas a gastar mais do que obtêm do mercado. Isso é assim porque não se pode ganhar títulos sem se montar equipes fortes, que custam dinheiro. O São Paulo, a partir de 2002, passou a contratar, preferencialmente, jogadores que não representassem custos de aquisição para, depois, revendê-los com boa margem. Um dos retornos do investimento em categorias de base é esse: o custo de formação de um atleta é alto, mas menor do que o de contratação de seu equivalente pronto e acabado. A margem, então, cresce mais ainda. E se pode concentrar as receitas destinadas à contratação em peças - como é mesmo que o pessoal gosta tanto de dizer? - diferenciadas. A combinação dos dois recursos tem mantido a equipe em evidência. Como o clube foi paciente no início do processo, fez e andou para as reclamações da torcida e esperou a hora certa de bater forte (Amoroso só veio nas quartas-de-finais da Libertadores, por exemplo), não sofre mais, como chegou a acontecer nos anos 90, com problemas de caixa. É um jeito de resolver as coisas. Há outros, mas isso não é importante. Não agora.
Atentem para a seguinte notícia do LANCENET! de hoje, em http://www.lancenet.com.br/clubes/BOTAFOGO/noticias/08-08-25/369549.stm?roger-detona-diretoria-do-botafogo, de responsabilidade da LANCEPRESS!:
Roger detona diretoria do Botafogo
Ex-goleiro diz que dirigentes não cumpriram com combinado
Roger cobra dívida do Botafogo (Crédito: Ricardo Cassiano)
LANCEPRESS!
O ex-goleiro Roger, que atuou pelo Botafogo entre 2007 e 2008, fez duras críticas à diretoria alvinegra. Segundo ele, os dirigentes não cumpriram com o que haviam combinado.
- Eu fiz um acordo com o Botafogo depois da minha contusão. Daí o clube se recusou a pagar o meu tratamento e também não me pagou o que devia e deve. A tristeza maior é que estou há dois meses sendo enrolado. Me dão prazos que nunca são cumpridos. Eles sabem que não podiam me mandar embora, por conta de um acidente no ambiente de trabalho, sem me dar o que é de direito - esbravejou Roger, em entrevista à Rádio Brasil.
O jogador ainda criticou o que ele chama de falta de profissionalismo no futebol do Rio de Janeiro e dá exemplo do futebol paulista.
- Infelizmente, as pessoas do futebol carioca não são pessoas sérias e é por isso que há muito tempo não vemos um time carioca campeão nacional. O futebol paulista só é o que é porque tem pessoas sérias - opinou.
O Botafogo conhecerá seu novo presidente ainda neste ano e Roger diz estar na torcida para que entre pessoas mais sérias, de acordo com o próprio:
- Espero que nessa nova eleição do Botafogo entre gente séria e que a realidade mude. Fico muito triste ao ver que essa diretoria não se preocupa com o dinheiro do clube. Se o Botafogo for obrigado pela Justiça a me pagar, arcará com um valor muito mais alto. Mas eles não se importam, porque não vai sair do bolso deles.
Hum. Que coisa, hein? Olha, nem vou perder tempo oferecendo-lhes exemplos do que pretendo demonstrar, adiante, com algumas poucas assertivas. Lembro-lhes apenas de que não é a primeira vez, nos últimos anos, que o Botafogo enfrenta problemas para quitar dívidas - o que é natural, contornável e, em certas situações, inevitável. A agência, ciosa de suas responsabilidades, foi atrás da direção botafoguense e dela obteve qualquer justificativa - uma haveria de existir - e, num tom bastante melífluo, fez constar ao lado da nota negativa uma outra que, se não era positiva, não poderia atenuar melhor o teor deletério daquela primeira. Onde quero chegar? Ora, é simples.
Dois grandes clubes brasileiros andam patinando na hora de pagar o capilé dos jogadores, algumas dívidas trabalhistas e alguns passivos correlatos - e com freqüência parecida. Ambos terminam sempre saindo dessas situações, e a contento. Em períodos concomitantes, um deles foi à Libertadores duas vez, venceu um Paulista e está disputando a sério o Brasileiro deste ano, enquanto o outro venceu um Carioca e está disputando a sério o mesmíssimo Brasileiro. Desempenhos parecidos, afinal. A diferença fica por conta do aporte de investimentos - o do Palmeiras, sobretudo por conta da WTorre, é muito maior e chega a obliterar a conquista alvinegra na licitação da qual saiu com o Engenhão. Acontece que a direção de um deles é simpática à imprensa (especialmente à paulista, em certos setores), ao passo que a do outro é antipática à imprensa (especialmente à paulista, em certos setores).
Se você estiver tentado a me chamar de paranóico, antes permita-se recordar do que acontece com o Palmeiras quando os salários atrasam, e depois tente imaginar Bebeto de Freitas, em pleno horário nobre da ESPN Brasil, sendo tratado como se fosse um, sei lá eu... Toninho Cecílio da vida, que seja. Não se trata de paranóia, mas de exercitar a honestidade intelectual.
Os jornalistas esportivos sentem afinidade por alguns dos membros da diretoria botafoguense que comungam de sua visão de mundo, a ponto de lhes perdoar a convivência com bichos-papões tão papões como o dono do IBOPE. Assim, quando as coisas não vão bem, eles conseguem se colocar no lugar desses dirigentes, reproduzir internamente seus problemas, suas expectativas, seus discursos. Coisa, aliás, perfeitamente legítima - eu também compreendo Churchill em muitas coisas, porque concordo com Churchill numa série de pontos que, sendo centrais, arrastam uma porção de notas acessórias atrás de si. O problema é que, além de legítimo, esse procedimento é fácil e qualquer bobo o executa sem maiores dificuldades. Só que, se você não o contrapõe mediante a tentativa sincera de assumir as razões que sustentam as idéias que mais repulsa lhe despertam, ele torna-se perfeitamente inútil. Mais do que isso: você simplesmente pula a etapa de considerar as razões de quem quer que seja, porque perde a capacidade de refletir. E, quando a gente alerta o sujeito acometido de tal incapacidade para o terrível fato - é, fato - de que as opiniões dele não são bem opiniões, mas meros ecos do que lhe pareceu decente um dia, a desgraça então completa-se quase que com rigor matemático: o camarada tímido se prostra, sem saber para que lado ir, inseguro e bobalhão, enquanto seu coleguinha voluntarioso sai atirando como louco, sempre em favor daqueles pontos de vista que, na tenra aurora dos tempos, lhe pareceram os mais eficientes na construção daquela imagem que julgamos adequada quando queremos comer nossas colegas de turma, durante a faculdade.
Não é, afinal de contas, coisa de gente muito séria. A diretoria do Botafogo pode até ser boa, e a do Palmeiras má. Mas não será com a ajuda de nossas redações esportivas que a gente vai ficar sabendo disso.
Escrito por Falavigna às 16h20
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Bolão Brasileirão - 22ª Rodada

Feliz por estar entre os dez, e avançando, passo aos palpites para a 22ª rodada:

E é isso aí. Vamos nos falando. Terei mais tempo. E haverá novidades no futuro deste blog. Em breve. Até lá.
Escrito por Falavigna às 10h21
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Atualização do Bolão - 21ª Rodada
    
Precisamos ver se as contas estão todas certas. Afinal, se quando somo apenas uma rodada, já erro... Em todo o caso, corrijam-me se encontrarem algo. Quanto aos que como o ex-líder Giocondo (coisa com a qual não deixo de me comprazer, sei lá por quê - he, he, he) não conseguiram apostar por falta de post no tempo adequado (reconheço que, desta vez, ficou meio em cima), não é demais lembrar que se pode apostar por e-mail. O Pinho passou semanas nesse sistema. Quanto ao Bolão das Olimpíadas, é verdade: ainda teríamos que ter apostado para Brasil x Bélgica. Uma lástima, só um de nós lembrou-se a tempo - e levará seus pontos por isso. Assim que as Olimpíadas terminarem, verifico o bônus pelos eventuais acertos no número de medalhas e, então, publico o resultado final.

Semana quase toda aziaga, não fosse por ontem. Meu computador voltou para casa - andou empepinado - e, portanto, teremos tempo e meios para dar continuidade àquelas análises das mesas-redondas. Em breve, muito breve, os palpites desta semana.
Escrito por Falavigna às 10h07
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Bolão Brasileirão - 21ª Rodada

Ainda abalado pela sacoletada de ontem, passo aos palpites sem atualizar a última rodada. Lá vai:

Assim que possível, o resultado final daquele outro Bolão relacionado àquele assunto acerca do qual não quero nem ouvir falar. Até lá.
Escrito por Falavigna às 13h44
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Brasil x Argentina
    
Sim, são válidos os palpites lançados no post abaixo. Ainda enrolado com meu tempo, digo que Brasil e Argentina empatarão em 2 a 2 no tempo normal e decidirão tudo na prorrogação, quando venceremos por 1 a 0.
Mais tarde, atualizações. Até lá.
Escrito por Falavigna às 09h19
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Sobre Valdívia, e outros lembretes

Não, o Palmeiras não deveria ter vendido Valdivia. Sim, o Palmeiras poderia tê-lo mantido aqui aumentando seu salário ou cedendo ao atleta parte de seus direitos. Ou fazendo as duas coisas. As dívidas do Palmeiras estão bem compostas e, diante das providências recentemente tomadas na, como se diz por aí, operação propriamente dita, há muito mais motivo para otimismo do que para pessimismo – aliás, graças à aprovação do projeto que autoriza os aportes relativos à Arena, pode dizer-se que o Palmeiras está diante das melhores perspectivas materiais de toda a sua história. Se as redações esportivas do Brasil não sabem ler balanço, o problema não é nosso.
Se, num mundo de sonhos da croniquinha, os clubes fossem sociedades anônimas de capital aberto, as ações do clube teriam atingido, desde a assinatura do contrato, alturas inimagináveis. As pessoas que hoje administram o clube sabem disso perfeitamente. Eu não sei se o que vou dizer é tão chato assim, mas não deve haver board no Brasil que seja capaz de preterir um único Belluzzo em favor de dois mil Kfouris, dezenove milhões de "Portellas, nunca vi coisas mais belas" e vinte e cinco bilhões de mesas editorias do LANCE!.
Portanto, esqueçam. O Palmeiras não está vendendo Valdivia porque precisa de dinheiro imediatamente. Os problemas de fluxo de caixa são todos – todos mesmo - contornáveis e, caso o time vá à Libertadores (e irá) com uma equipe competitiva, dificilmente voltarão a incomodar - seriamente, ao menos – ao longo do ano que vem. Além do mais, o Palmeiras é candidato ao título nacional e é campeão paulista. O pessoal do LANCE! poderia ao menos brincar de jornalismo e ir a campo para tentar descobrir qual a premiação estipulada pelo contrato de patrocínio, matéria acerca da qual despendeu monumentais esforços para, no final, nos oferecer dados tão inúteis quanto se versassem sobre as possibilidades esfincterianas de Tom Cruise. Mas não vai fazer isso. Dá trabalho. É muito mais gostoso passar release adiante, como se trabalho fosse. O melhor dos segredos do marketing são-paulino consiste em explorar e alimentar a vocação para a vadiagem dessa gente.
Em todo o caso, o que resta é que o problema não é dinheiro.
O problema é o mesmo da época de Vagner Love. Mustafá não queria deixar “o cavalo passar selado de novo” (as palavras são dele), e citava o prejuízo que tivera ao segurar Lopes. Como se ter Love fosse a mesma coisa que ter Lopes. Meu Deus.
O problema é que, hoje em dia, pouca gente entende de futebol, de verdade. E, mesmo quem entende, só encontra espaço na imprensa quando se sujeita a certo alinhamento com o vozerio autoritário. Por isso Danilo era esculachado no São Paulo. Por isso vi um sujeito, em pleno Palestra de 94, às vésperas do jogador explodir de vez e dar o Brasileiro ao clube, chamar Rivaldo de refugo. Por isso Tostão pôde, ao longo de anos, pontuar suas colunas com mais elogios a Juninho (o Paulista) do que a Alex ou Rivaldo. Não acreditem em mim: corram aos arquivos. Encontrarão, na vista panorâmica de nossa cobertura futebolista, muito mais termos favoráveis a Juninho ou mesmo Denílson (hoje – como direi? – anametizado), Renato (aquele, do Santos), Josué, Ricardinho (outro que se excomungou, depois) do que, na normalidade, se utilizou para tratar de Alex, de Rivaldo, de Diego, de Djalminha ou de, ora vejam só, Valdivia. De Rivaldo, se dizia que era grosso. Alex, sonolento. De Diego, que é mascarado. Djalminha, indisciplinado. Do outro lado, Juninho chegou a ser comparado a Zico. Denílson, a Canhoteiro. Edmundo nunca entrou numa partida de Copa, como titular, porque precisávamos incensar o talento cósmico de Denílson. Djalminha nunca foi nem banco em Copa. Quem precisava dele, quando havia uma vaga de volante perfeita para monstros sagrados como Doriva? Fosse pela crônica, o São Paulo teria se livrado de França – é, de França – o Corinthians desistido de Viola e o Palmeiras, vendido logo Val... Opa, mas o Palmeiras vendeu mesmo Valdivia!
Ora, não vamos deixar o cavalo passar selado, né mesmo? Como diria PVC:
“Vamos combinar uma coisa. Qual a partida decidida por Valdivia no Campeonato Brasileiro? Ou mais: quantas partidas Valdivia decidiu neste ano? Você há de se lembrar do jogo contra a Ponte Preta, do título paulista e... Não vender Valdivia agora é correr o risco de ter o jogador no clube por muito mais tempo do que ele estará disposto a jogar no Palestra Itália. O time que busca derrubar o Grêmio - missão ingrata - e tentar a taça que não é sua há catorze anos já está pronto. Na quinta-feira passada, contra o Vitória, a escalação do segundo turno esteve em campo e brilho, embora com Valdivia na vaga que será de Kleber”
Não, não estou dizendo que a responsabilidade pela negociação de Valdivia é de PVC. Estou é afirmando que Valdívia está indo embora principalmente porque o futebol foi tomado por trapalhões, dentre os quais saquei o exemplo mais vigoroso que me veio à memória. O ambiente para vender Valdivia é favorável porque muita gente importante convenceu-se de que ele não é grande coisa. E essa gente deve ter chegado a ser importante cultuando a memória de Honra e de Glória de, deixem-me ver... Bandeira, por exemplo! Esse era fera! Hã? Que tal?
Para explicar o que penso a respeito, vou utilizar-me de um estilo um tanto quanto Cruz de Savóia, que é para vocês verem como o assunto me deixou de bom humor: Juninho Paulista (de novo) em seu apogeu, era ótimo jogador - eu gostaria de tê-lo agora, mesmo aquele de 2005. Rápido, batia na bola decentemente, tinha habilidade para driblar quando em velocidade e passava bastante bem, além de ser ótimo sujeito e jogador aguerrido, vibrante e valente. Dito isto, que fique claro que, ainda assim, Juninho não serviria sequer para limpar o esmegma acumulado no sulco balanoprepucial de Valdivia, nem que fosse com as línguas das melhores Marias Chuteiras que papou, todas em cordial genuflexão. Fui claro?
Se PVC acha que é bom vender Valdivia porque os, em minha opinião, duvidosos benefícios materiais compensarão os, na opinião dele, poucos malefícios técnicos; e se PVC é o comentarista mais respeitado do Brasil, então vejam vocês a que tipos estamos emprestando respeito. Não é nada pessoal - tenho para mim que PVC é honesto, trabalhador e gosta de futebol, o que já faz dele pérola rara na imprensa esportiva. Nem é pela diferença de opiniões. Mas é que a observação de PVC é típica daquele são-paulino que achava Danilo lento, daquele corintiano que queria Marcelinho longe, acusando-o de desagregador, daquele palmeirense que expulsou Rincón do Palmeiras atendendo aos pedidos da imprensa, após meia dúzia de partidas ruins, para vê-lo reforçar o Corinthians por dezenas de partidas ótimas. Avallone disse, de Luxemburgo, que ele tinha “péssimo gosto para jogador” por pedir Rincón de volta, em 96. Pois é. Como era histriônico, ficou por isso mesmo. Como PVC é palatável a não mais poder, diz a enormidade que disse e, acrescendo desserviço à bobagem, confere a ela alguma aura de seriedade.
E vamos agüentando. O pessoal acha mesmo que está fazendo bom negócio. Pois então que achem outro Valdívia, agora. Só que pronto e evoluindo e identificado com o clube e a torcida e despertando o ódio dos adversários, como este que tínhamos até ontem. Consultem Birner (outro que achou o negócio bom) e Cia muito, muito limitada. Eles devem ter alguma idéia.
P.S: A apostas para o “Bolão do Meu Saco” devem ser feitas neste link. As do das Olimpíadas, nos comentários a este mesmo post - mas considerarei as apostas feitas no anterior, sem problemas.
E o Brasil baterá Camarões por 5 a 1, no tempo normal.
Escrito por Falavigna às 11h40
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Atualização Bolão Pequim - 1ª Fase
    
O calendário do Brasileirão estrepou muita gente no Bolão das Olimpíadas, o que coloca todo mundo ainda na briga - sobretudo porque há aquela história das medalhas. Estamos assim, salvo engano:

E a coisa correrá assim, agora: faremos apostas para o resultado do jogo entre Brasil e Camarões, pelas quartas-de-final. Dois pontos para coluna, cinco para placar. Se o camarada apostar em empate, conta com a seguinte vantagem: poderá palpitar para a prorrogação e submeter-se aos mesmos critérios de pontuação que valiam para o período regulamentar, considerando-se apenas este segundo placar - ou segunda coluna, conforme a precisão do palpite. Por outro lado, se nessa ocasião vier a errar a coluna da equipe classificada (caso a classificação de qualquer equipe se dê ainda na prorrogação), perderá os pontos que havia obtido na aposta do jogo do tempo normal. Mais: se insistir em outro empate que, no final, não venha a ocorrer, também perde os pontos aos quais havia feito jus nos noventa minutos. Porém, se voltar a apostar em empate e o jogo realmente for para os penais, o amigo acrescerá àqueles pontos os pontos de direito pela prorrogação, e ainda terá direito a apostar num vencedor qualquer para as cobranças da marca penal, independentemente do placar (não perca tempo arriscando, o acerto não valerá nada). Nessa hipótese, ninguém será penalizado pelo eventual equívoco porque, como todos sabemos, as cobranças da marca penal são como uma loteria.
Ha, ha, ha. Que coisa.
Por outro lado, o acertador levará cinco pontos extras, porque vai ser largo assim lá no raio que o parta.
Notem que se você não apostar no empate para o tempo regulamentar, não poderá dar palpites para a prorrogação. E, se não insistir no empate para a prorrogação, não poderá apostar numa classificação, de quem quer que seja, pelos penais.
Agora, uma boa notícia: o vencedor do Bolão ganhará uma camiseta estampada com alguma nota acerca deste "Blog do Meu Saco", nas cores de seu time de coração. Prometo que o material será excelente e, ainda, elegante a não mais poder. Uma coisa louca. Acordei ainda um tanto bêbado. Depois, lembrem-me do prometido.
Abrirei, em breve, um post adequado para as tais apostas. Até lá.
Escrito por Falavigna às 12h44
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Atualização do Bolão - 19ª Rodada

Feliz apenas pela desgraça geral, peço ajuda na conferência:

Mais tarde, algumas observações sobre o tratamento - insólito - que a croniquinha tem dado à transferência de Valdívia. E a parcial do Bolão das Olimpíadas. E outras bobagens. Até lá.
Escrito por Falavigna às 11h18
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Bolão Brasileirão - 20ª Rodada - Bolão das Olimpíadas - 3ª Rodada
    
Caríssimos, sei bem que estou publicando estes palpites sem atualizar os rankings do Bolão do Meu Saco e das Olimpíadas, que sequer teve sua primeira parcial. É que, como vocês devem imaginar, primeiro vem o leite das crianças. O Brasil sofrerá para meter 3 a 0 na China. No mais, as coisas correrão assim:

Acho que, até amanhã, já acertei quase tudo. Antes do final de semana, quem sabe textos. Até lá.
Escrito por Falavigna às 16h41
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Bolão Brasileirão - 19ª Rodada - Bolão das Olimpíadas - 2ª Rodada

Caríssimos, o Brasil baterá a velha e boa Zelândia por 4 a 0. No Brasileiro, ocorrerá o seguinte (sem tirar, nem por):

E vai ser assim como eu estou dizendo. Gostaria bastante que o Palmeiras vencesse o campeonato sem vencer nenhum dos dois turnos: pode acabar em segundo em ambos, desde que o campeão do primeiro termine, por exemplo, em quarto no segundo e o campeão do segundo tenha sido, por exemplo, o quinto do primeiro. Isso seria maravilhoso porque, afinal, o pessoal do LANCE! poderia pegar aquelas horrorosas estatuetas e... ah, deixa pra lá.
Escrito por Falavigna às 15h10
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Atualização do Bolão - 18ª Rodada

Um passo adiante, dois atrás. Fora a estupenda ressaca. Zimbro é uma porcaria.
Até que alguém verifique alguma falha, estamos assim:

O bolão das Olimpíada será atualizado na segunda. Em breve, os palpites do final de semana e do jogo do Brasil, domingo. Até lá.
Escrito por Falavigna às 13h04
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Bolão Brasileirão - 18ª Rodada - Bolão das Olimpíadas - 1ª Rodada

Caríssimos, eu não teria tempo de organizar um bolão com todos os jogos das Olimpíadas, agora. Portanto, vamos fazer assim: depois do jogo 180, acrescentem seus palpites para Brasil x Bélgica. O critério de pontuação será o mesmo do Bolão do Brasileirão, e a premiação a mesma do Paulista: tarde na Juriti, à custa dos perdedores. Tem que ser assim, porque não tive tempo de obter patrocinador. Adicionalmente, digam quantas medalhas de ouro vocês acham que o Brasil levará em Pequim. Os que acertarem ganharão 05 pontos de bônus no Bolão das Olimpíadas, mas notem: se ninguém acertar, ninguém levará ponto nenhum - não adianta passar raspando. O Bolão acaba assim que o Brasil cair fora. Acho que iremos até a final. Para o Brasileiro, meus palpites são estes:

Para Brasil x Bélgica, aposto em magra vitória canarinho por 2 x 1.
E o Brasil assombrará o mundo com 09 medalhas de ouro.
Até lá.
Escrito por Falavigna às 10h12
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Notinha sobre o Bolão das Olimpíadas e "Uma Lição de Democracia Racial"
     Caríssimos: até amanhã, vejo se podemos operacionalizar nosso Bolão das Olimpíadas. Até lá, fiquem com esta crônica de março de 2007, aqui re-publicada por conta da aproximação das Olimpíadas e para facilitar a vida de quem acompanha o "Literário" e vive pedindo para lê-la novamente:
Uma Lição de Democracia Racial
Esta é uma típica pequena história de classe média paulistana, dessas que ainda vão acabar levando muita gente para uma temporada no campo, com fins de reeducação social. Reeducadores gostam muito de reeducar as pessoas no campo, principalmente se elas forem da cidade. Porque, se elas já forem do campo antes da reeducação, já não podem mais ser reeducadas e é melhor ir passando fogo nelas logo. Eu nunca entendi isso. Normalmente, os reeducadores reeducam as pessoas da cidade no campo para que elas libertem o camponês que há dentro de cada uma delas, o que as transformaria em pessoas fofas. Por outro lado, os reeducadores parecem não gostar muito de camponeses prontos e acabados quando vêem um de verdade na frente. Como os reeducandos da cidade vão, aos poucos, se tornando camponeses, chega-se inevitavelmente ao ponto em que já não é mais possível reeducá-los. Acho que é por isso que os reeducadores acabam passando fogo em todo mundo logo e pronto. Tem sua lógica. Mas voltemos à historieta.
Trata-se de descrever certo ritual que se passava também na abertura da Copa do Mundo, mas que na das Olimpíadas era muito melhor. Isso porque há muito mais países nas Olimpíadas. Assim, suas cerimônias de abertura têm desfiles muito maiores, com mais bandeiras e com um monte de delegações que nem sonham em ir à Copa. Graças a essa disponibilidade de nações e cores, a coisa ficava mais engraçada.
Consistia em algo mais ou menos assim: essas festas quase sempre ocorrem, no horário brasileiro, pela manhã. Na data de abertura dos Jogos reuníamos-nos ao longo da comprida mesa da sala de estar; meu pai, eu e meus irmãos. Precavidos, a essa altura já havíamos conseguido e disposto coisas boas para se comer. Coisas como gorgonzola, azeite, salame, pão italiano, lingüiça calabresa, azeite, parmesão, berinjela curtida no azeite, azeitonas, requeijão, leite, coca-cola, azeite e, ainda, um pouco de um ou outro azeite mais especial. Nós utilizávamos apenas uma das metades da mesa, de modo que tudo ficava agradavelmente atulhado. Ajeitávamos-nos diante da pequena televisão colocada um pouco depois do centro do sólido tampo de cerejeira (isso é para vocês verem como a coisa já começava politicamente incorreta), símbolo de uma época de prosperidade que já ia distante.
Tudo isso era assim espremido porque não tínhamos mais o controle remoto daquele aparelho. Como já disse, estávamos meio que na merda. Uma mãozinha de coçar as costas fazia as vezes do controle, graças à surpreendente habilidade de meu pai em contornar potes, evitar copos e suplantar patês. Funcionava 80% do tempo. Quando dava errado (cerca de uma a cada cinco tentativas de trocar de canal, aumentar ou diminuir o volume ou mesmo ajustar a imagem), a culpa era nossa, “uns filhas de uma puta que não sabiam onde colocar o copo direito” e a respeito dos quais não se sabia dizer “por que não enfiavam os copos todos bem dentro do meio do cu”. Mas tudo bem. Limpava-se a mesa, repunham-se os itens perdidos e preparava-se o espírito para outra. Meu pai ajudava levantando os braços, erguendo o seu copo e um exemplar de “O Coruja”, enquanto o idiota responsável pelo desastre recolhia os dejetos e passava um pano no local.
Bom, primeiro são aquelas músicas, aquelas apresentações cênicas, aqueles discursos e coisa e tal. Até aí a coisa prosseguia sem grandes transtornos e ameaças ao direito internacional, à liberdade das nações e à fraternidade entre os povos de toda a Terra. Mas, como estávamos no Cambuci, esse estado meio anódino de coisas não poderia mesmo se sustentar por muito tempo. Para o azar do COI, as delegações começam a desfilar sempre um pouco depois do meio-dia, horário do Cambuci. Como qualquer pessoa civilizada sabe, meio-dia é o horário a partir do qual é decente e permitido beber uns destilados, caso se esteja de folga. Entre as 10:00 e as 12:00, admite-se apenas cervejinhas. Depois do meio-dia, vale tudo.
E meu pai mandava buscar sua inviolada garrafa de Wild Turkey. Ótima escolha. A única vantagem de se beber qualquer outra coisa além de Wild Turkey é que essas escapadelas nos permitem perceber o quanto teria sido mais sensata, uma vez mais, a opção pelo velho e bom Peru Selvagem. E as garrafas vinham à mesa sempre invioladas porque, depois de abertas, eram perfeitamente honradas. Se é que vocês me entendem.
Uma vez destampada a garrafa, o ambiente todo melhorava substancialmente. A começar pelo cheiro de madeira que preenche o ar quando essas garrafas são abertas. A terminar pelo tipo de coisa que acontece quando alguém ingere um pouco daquele líquido brilhante e honesto. Naquelas ocasiões, ele acabava por despertar em meu imenso e gordo pai o melhor de seu espírito olímpico. Vejamos só no que isso costumava resultar.
Uma das primeiras delegações a entrar é sempre a da Albânia. Meu pai era muito suscetível a essa história de Albânia. Como jamais conseguiu guardar qualquer opinião para si, por mais indiscreta que fosse, rapidamente ele passava a emitir os juízos mais variados a respeito da pequenina nação maoísta. E, coisa estranha: ele começava pelo acessório. “O João Amazonas, ele segue a linha da Albânia, aquele filha da puta”. Isso mesmo. A presença de João Amazonas nas hostes albanesas (ou albinas, como dizia o Gordo depois da quarta dose) depunha fortemente contra a Albânia. Vindo de um brizolista capaz de votar em Jânio, isso sempre foi o suficiente para garantir um “Raça de Filha da Puta que é albanês”. Bom, como boa parte do leste europeu é povoada por eslavos que, mais tarde, ao longo do desfile, revelar-se-iam nada menos do que “uns comunistas filhas da puta”, logo ficávamos sabendo que não somente os albinos, mas também todos os eslavos, maoístas ou não, não passavam de uma “Raça de filhas da puta”. Assim mesmo, “filhas da puta”, de modo que compreendo até hoje que a mãe de todas elas, as raças, era a mesma.
Ninguém jamais foi poupado. As coisas que eram ditas sobre os povos da África, branca ou negra, valeriam várias e várias crônicas. Enganam-se os que imaginam que, em relação aos negros, ele se ativesse àqueles esteriótipos tão finos cuja utilização hoje em dia se quer ver banida. Isso seria falta de originalidade. Pior, seria desnecessário. Muito melhor era erigir grandes fantasias acerca de determinadas nações e, então, partir para as ilações mais insólitas que se possa imaginar. Por exemplo: por algum motivo, Senegal era a “Terra do Lothar, o príncipe de ébano assistente do Mandrake e grande filha da puta”. Os camaradas de Gana estavam todos mentindo na idade e, por isso, tinham a mãe na zona também. Os gentílicos eram sempre de grande valia, porque meu pai achava que podia fazer com eles o que bem entendesse. Uma das últimas delegações a desfilar era a da Zâmbia, com sua tradicional coleção de atletas repleta daqueles representantes da “Raça de Filha da Puta que é zumbi”. É bem verdade que, na letra “z”, o Wild Turkey já havia dado quase tudo de si.
E ninguém jamais poderia lhe acusar de perseguição a quem quer que fosse, como se verá adiante.
Tínhamos que tomar o maior cuidado com a delegação da Alemanha, porque ela provavelmente viria armada até os dentes e bêbada. Os israelenses jamais renderiam um único atleta de ponta, porque esse era um castigo divino, uma reprimenda de Jeová (assim mesmo, Jeová) a sabe lá Deus o quê. Essa maldição era, por motivos até hoje inexplicados e inexplicáveis, estendida aos árabes, outra “raça” cuja honestidade maternal era atacada pelas costas assim, de surpresa. Cuba. Sim, meu pai gostava de Cuba e fazia todas aquelas piadas sobre o vôlei feminino de Cuba: ele queria ver as moças de Cuba lançando. Os orientais eram todos tomados por chineses; mas isso, tenho certeza, era só para ganhar tempo. Atacava-se despropositada e violentamente as noções de higiene de todos os povos ditos amarelos e, de quebra, o gosto que eu e meus irmãos tínhamos pela “horrenda e mal-cheirosa comida chinesa à base de peixes crus e ovas de adolescentes virgens e sacrificiais”, numa afirmação reveladora e no mínimo polêmica sobre as diversas culinárias orientais (chinesas, portanto). No final, eram todos eles, em separado e um a um, umas “Raças de filhas da puta”. A Itália recebia tratamento realmente duro. Lá as pessoas são muito ligadas às mães, e por isso todos os italianos são uns bostas. Prova disso é que o Vasco, time de portugueses ligados aos pais, nunca passou pelas privações às quais o Palmeiras se submete até hoje. Os italianos eram xingados de safados, vagabundos, ladrões, fedidos e tudo o mais que os italianos supostamente costumariam atribuir aos nordestinos, porque além de tudo eles eram racistas. E isso porque o próprio Gordo era, ora vejam só, neto de italianos. Isso tinha que ser assim porque o Palmeiras andava mal. Coisa do outro mundo.
Os portugueses, uns mesquinhos (essa é sem dúvida a maior injustiça) e os espanhóis, os maiores cretinos do mundo. As mulheres espanholas são lindíssimas, mas não têm bunda e não olham para a gente na rua, e as canelas delas se parecem com palmitos. E aquelas bichonas gregas? Os franceses, uns camaradas que sempre roubam no jogo. Afora isso, toda francesa adora sexo anal, o que é uma pena diante do fato de que elas jamais se depilam. Diante disso tudo, não se pode negar que são todos uma “Raça de Filha da Puta”. Os ingleses, “Pais da Civilização”, e Londres, “A Capital do Universo”. “God save the Queen” e “Raça de Filha da Puta que é inglês”, como inglês ninguém pode ser tão filha da puta. Nem americano. E olha que americano é uma “Raça de Filha da Puta” como nenhuma outra. Os peruanos, bolivianos e chilenos eram todos uns índios. Como se sabe, índio é japonês, o que equivale a dizer: índio é tudo chinês. E, os chineses, bom, vocês já sabem né? Não dá para confiar. Lembrem-se de Pearl Harbor.
E assim íamos indo tarde adentro, até àquela hora em que deveríamos aprender algo sobre a gente de Zâmbia e que já foi citada lá em cima.
Mais ou menos por aí acabavam o Bourbon e a festa. Convenhamos que não era pouco. A sala então já se convertera em cenário de terra arrasada: potes vazios, toalha manchada, copos abandonados a esmo, nódoas de gordura em quase tudo e todos, cinzeiros espalhados por todo o cômodo e minha mãe louca da vida com a bagunça, dizendo que ia embora daquela casa e que nunca mais iria voltar; que os italianos, se fossem filhas da puta, eram só os do lado do meu pai (uns mangia polenta, segundo ela) e que quando ela morresse daquilo todo mundo iria se lamentar e dizer a si mesmo: ah, ela era tão boa e a gente fez isso com ela.
E, como não era o caso de se levar nada disso a sério, a gente então levantava e ia procurar outra coisa divertida de se fazer. Que era para não negar a raça.
Escrito por Falavigna às 17h08
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Sobre as Olimpíadas: uma nota e um palpite.
  
Em breve, começam as Olimpíadas. Re-publicarei aqui um texto que saiu no Comunique-se, no Literário de 23 de março de 2007. Depois, foi revisado para o Sinapse. Fez algum sucesso à época de seu lançamento. Vivem pedindo um repeteco lá pelo Literário. Por isso vou incluir, na crônica desta quarta-feira, um link apontando para a re-publicação do texto, neste blog.
E tem mais: meu palpite é que o Brasil vencerá as Olimpíadas no futebol masculino. Seria divertidíssimo. Há tempo para um bolão extraordinário? Ou deixaremos isso para a fase eliminatória?
Hein?
Escrito por Falavigna às 17h27
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Pergunta da semana

Não é minha, é do Godoy, no "Terceiro Tempo" de ontem. Quase em off, aliás, porque escapou enquanto as vinhetas do intervalo começavam a encobrir as vozes dos comentaristas, cujas imagens já haviam sido até sobrepostas pela do tema do programa.
"_ Será que o Caio Júnior está sendo carinhoso com os jogadores do Flamengo?"
Pois é, boa pergunta.
Hein? Será?
Escrito por Falavigna às 13h46
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Atualização do Bolão - 17ª Rodada

Desastre para quase todos, donde felizmente me salvei. Correções feitas, segue o resultado atualizado até qualquer justa reclamação:

Teremos aí uma semana agitada. Olimpíadas, sabem como é. Vou ver se faço algumas graças.
Escrito por Falavigna às 11h57
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Bolão Brasileirão - 17ª Rodada
    
De agora em diante, humildade:

Francamente, que draga.
Escrito por Falavigna às 10h41
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Atualização do Bolão - 16ª Rodada

Desastre, para mim e mais uns dois. Com essa média, ninguém pega o pentelho do Giocondo. O Birner é quem tem razão: esse cara não presta.
Espero ter acertado os pontos do Paulo, desta vez. Corrijam-me onde eu estiver errado: lembrem-se que passei para o manual, e lá fiquei.

Em breve, os palpites deste final de semana. Até lá.
Escrito por Falavigna às 10h18
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