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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, CAMBUCI, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Livros, Livros, Livros
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    Com a graça de um rinoceronte, com a leveza de um hipópotamo...

    Passando mal 

    Uma graça, esse Marcelo Damato. Acompanhem aqui. Vejam quanto - como direi? - espírito:

    O primeiro milagre de são Luiz Gonzaga

    por Marcelo Damato

    Aquele que foi coroado o Messias alviverde, no seu primeiro dia de governo, perpetrou o seu primeiro milagre no Parque Antarctica.

    Lenny, que não marcava um gol havia quase 700 dias, desencantou sob os olhares de Luiz Gonzaga Belluzzo, e comemorou sob a forte chuva. Parecia que até Deus ficou emocionado com esse milagre. E o Palmeiras, mesmo com um time misto, goleou o Marília por 3 a 0.

    Mas como no futebol não há milagre que seja puramente santo, tão logo Lenny estufou as redes, surgiu uma tempestade elétrica vinda dos céus que derrubou a minha Net, a minha banda larga, por infinitas horas, até estas 3h da manhã.

    E não pude ver, apenas ouvir, o final da partida.

    Mas Belluzzo precisa se acautelar. São Luiz Gonzaga, o Patrono da Juventude, foi tão santo quanto efêmero. Morreu aos 23 anos, infectado por um moribundo a quem carregou nas costas. 

    OK, Damato estava louco para fazer a piada - e, com ela, manter certo tom em relação a certos assuntos. Só que, se a exemplo de muitos de seus leitores que se manifestaram em seu blog, alguém mais susceptível resolver interpretar a última frase do texto, não vai precisar se esforçar para notar que, em outras palavras, Damato chamou a Sociedade Esportiva Palmeiras de "moribundo infecto". Sem querer ou não, querendo atingir Luxemburgo ou não, é impossível não admitir o clube no rol de possibilidades oferecidas pelo texto. Não me venham com rodeios, por favor. Metáforas são para isso mesmo.

    Quem, por amor à literalidade - ou à pollianice -  quiser se arriscar a dizer que Damato não disse que o Palmeiras é tal qual um "moribundo infecto" - seja lá o que isso signifique para esse sujeito - deverá sustentar que o doce jornalista talvez acredite, com toda a força de seu coração fofo, que Beluzzo é mesmo o jesuíta São Luiz Gonzaga, capaz de operar milagres como o de aturar, com celestial serenidade, gente que escreve "moribundo infecto" e ainda acha que está sendo sutil.

    Depois, essa turminha ponderada, que vive das letras e de suas nuances, vem e nos pede respeito e educação.

    Que gracinha, né?



    Escrito por Falavigna às 15h52
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    Nota sobre o "Um Olhar Crônico Esportivo"

    Jóia

    Caríssimos, acabo de reparar que a única fonte séria de informações e análises acerca da vida financeira, do marketing e dos balanços dos clubes brasileiros mudou de endereço.

    Quando você quiser entender como nossos times de coração geram receitas e como as gastam, quando você quiser realmente compreender as complexas questões envolvendo patrocínios, merchandising e as diferenças entre pontos estruturais e acidentais nos motores que fazem girar o futebol brasileiro e mesmo mundial, não faça como a croniquinha. Não se deixe encantar pela bela sonoridade das palavras de ordem do dia.

    Vá ao site de Emerson Gonçalves, aproveite aquele monte de informações colhidas no mundo real, dialogue com quem prefere saber do que fingir que sabe e, assim, poupe-se de passar vergonha tentando transformar um mundo que ainda sequer foi compreendido. O assunto é chato, árido e, para alguns, sua tratativa séria pode parecer ilustrar nada além dos efeitos mais imediatos da escolha, que já vem de longe, por um caminho errado na maneira de se tratar as coisas do coração - visão com a qual, em parte, concordo.

    Mas, até para sustentar essa opinião, é fundamental entender do que se está falando. Um exemplo, aqui.

    O link, aí embaixo, à esquerda, já está atualizado.



    Escrito por Falavigna às 12h51
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    Aos Recalcitrantes

    PVC resolveu assumir a vergonha toda para si. Insiste no regulamento, e patati, e patatá.

    O articulista insiste em evitar os argumentos - na realidade, meros chamamentos à realidade - daqueles que denunciam a falsificação da História promovida por esse movimento literalmente revisionista que o apanhou para inocente útil - menos inocente e mais útil, verdade seja dita.

    Apega-se ao amuleto do "regulamento" e ignora fontes diretas - testemunhas, documentação, confissões mesmo - fingindo que somos todos, inclusive ele, umas pollianas bobocas. Agarra-se ao mantra do "regulamento" - mais precisamente, na terminologia eufemística então empregada naquela peça - em detrimento de provas materiais, confessionais (não é demais insistir) e muito bem documentadas.

    É o cúmulo da infantilidade. Talvez, diante do recurso do exagero, Coelho caia em si: todos os réus de Nuremberg deveriam ter sido absolvidos. Os regulamentos nazistas jamais falaram em extermínio; portanto, seguindo o método coelhístico, todos aqueles senhores estiveram livres para dispensar testemunhos, filmes, fotografias e, in extremis, até mesmo os próprio olhos e ouvidos, desde que estes desmentissem os regulamentos vigentes. O pessoal estava só acreditando que, se o regulamento não usou a palavra genocídio, aquilo tudo tratava-se apenas de "Libertar pelo Trabalho".

    Vamos todos nos fiar nos regulamentos, mesmo que o próposito deles sequer seja atender à realidade cotidiana mais direta, mas antes estabelecer princípios. Por exemplo: nossa Constituição diz que, no Brasil, todos têm direito a um atendimento de saúde digno, e que o Estado tem o dever de fornecer os meios de obtê-lo a quem não o puder fazer de moto próprio. Como todos podem perceber, o regulamento e os fatos, uma vez mais, coincidem à perfeição - e isso segundo o raciocínio de Coelho, não o das pessoas normais e capazes de distinguir entre declarações de princípio e determinações objetivas, entre não dizer uma palavra desagradável e simplesmente deixar de fazer algo desagradável que a tal palavra nomeie.

    O regulamento do Campeonato Brasileiro de 1998 nada dizia sobre rejeitar equipes rebaixadas pelo regulamento de 1997 - pelo contrário, ampliou os participantes de modo a abrigar os atingidos pelo regulamento anterior. Por qual razão o regulamento de 98 deveria ser menos digno do credo PVCzístico do que o de 97? A rigor, por nenhuma. Portanto, tricolores cariocas, animem-se: Paulo Vinícius Coelho está disposto a dizer que o Fluminense jamais beneficiou-se de nenhuma virada-de-mesa, afinal não viu regulamento nenhum falando em virada nenhuma.

    Parece brincadeira, mas o pobre acredita achar uma solução para o imbróglio em que se meteu - por preguiça e servilismo, aliás - apontando o número de rebaixados na ocasião como absurdo - dez, se não me engano - o que serviria de evidência de que não houve descenso. Isso equivale a dizer que não houve acesso de dezenas de equipes em 2000, na João Havelange, mesmo sabendo-se que uma equipe oriunda da Série Ômega Stardust quase foi campeã. Se isso não for acesso, não sei mais o que possa ser. Acesso é ser alçado a postulante a título no período subseqüente ao que se ascende. Descenso é ser alijado da possibilidade de tal postulação naquele mesmo período, e aquele que dele padece é obrigado a disputar o acesso no mesmo intervalo. Se quiserem, chamem isso de caleidoscópio ou rabanada - o São Paulo foi, sei lá, caleidoscopizado ou enrabanado em 1990. Que diferença faz?

    Alguém precisa de um desenho? 

    E outra: o próximo que disser algo como "se foi rebaixado, como foi campeão no ano seguinte?" ganha um "Meu Primeiro Laboratório Químico" e pode partir para a auto-suficiência em estupefacientes coloridos. O camarada que sai-me com uma enormidade dessas não percebe que, na mesma hora, está dizendo que o Fluminense jamais foi rebaixado sempre que virou a mesa e, portanto, habilitou-se para a disputa do ano subseqüente ao que foi... rebaixado, porca miséria!!! Se o Fluminense tivesse vencido o campeonato de 1998, teria removido do mundo dos fatos o rebaixamento de 1997? Hein?

    Hein?

    É por essas e outras que isto aqui é o "Blog do Meu Saco". Porque haja, meu Deus do Céu!

    Haja, viu?



    Escrito por Falavigna às 18h10
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    Respirando fundo antes, não se precisa mentir depois

    Caríssimos, demorei para voltar. E, para piorar, o farei lançando mão de grossa picaretagem. Aproveitar-me-ei do suor alheio. O caso é que o site da revista "Época" está abordando um assunto que, aqui, foi motivo de polêmica há alguns meses - o rebaixamento do São Paulo no Paulistão de 1990. Será que vocês se lembram? Foram dois posts. Um versava sobre o comportamento de Birner e chamava-se "Sobre Assessorias Informais". Nele, eu dizia que

    "Exemplo definitivo: hoje, Vitor Birner é incapaz de reconhecer, como já reconheceu um dia, que o São Paulo foi rebaixado em 1990; alega que, se é assim, dez equipes foram rebaixadas, como se a estranheza do fato fosse capaz de lhe privar da veracidade. Sim, aconteceu, inclusive porque havia equipes que, por conta da situação que viviam em 1990, em 1991 não disputariam o título mas que, anda assim, tiveram possibilidade de acessar as semifinais  de 1991 - caso daquelas que não haviam ascendido em, ora vejam só, 1990. O que equivale a dizer que diversas equipes foram promovidas somente para que uma não descesse. O nome disso é virada de mesa, e a diretoria do São Paulo, na época, jamais teve problemas para admitir que a tentaria - como de fato a tentou e obteve."

    Alguns leitores do blog, são-paulinos, reclamaram da citação ao caso "rebaixamento" apoiando-se num artigo de PVC que, baseado na leitura do regulamento daquele torneio (que dizia não ser previsto rebaixamento para aquele ano), afirmava categoricamente, do alto da autoridade que tão meticuloso método historiográfico lhe conferia - coisa espantosa, sobretudo para um jornalista tão cioso da fama de fileira da frente - que o São Paulo não havia sido rebaixado em 1990. Birner e Kfouri, aliás, basearam-se nessa mesma prova sólida e irrespondível para desmentirem-se a si mesmos. Coisa de maluco, a responsabilidade jornalística da patota. Na ocasião, respondi assim, no post "Esclarecimento" (destaco algumas passagens para futura referência):

    "Como um leitor e membro do Bolão, Davi Marinelli, já se manifestou sobre o episódio de 1990, antecipo-me e esclareço o seguinte:

    Observem os regulamentos dos campeonatos de 1988 e 1989 - eles também não falavam em descenso, e sim em grupos 1 e 2 para a primeira divisão e em segunda divisão - o que não quer dizer que membros do grupo 2 tivessem chance de disputar o título, por mais estranho que possa parecer. É por isso que, em 1991, o presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, garantia, a despeito das promessas de Fernando Casal de Rey - aliás, cumpridas - que o São Paulo não disputaria o título de 1991. Ironicamente, o testemunho de tal declaração está, parte dele, aqui. As declarações de de Rey se encontram, por exemplo, no caderno de Esportes da Folha de São Paulo - quem quiser, vá ao arquivo, mas já vi fac-símile da coisa na Web: no antigo blog do... Paulinho, é isso mesmo. Se esteve lá (deve ter se perdido quando da saída do UOL), deve ser possível achá-lo em outro local. Já fiz isso antes de perder a paciência com esse assunto. Ora, mas perder a paciência por quê?

    Porque todo o mundo - inclusive o São Paulo - entendia que o São Paulo não disputaria o título em 1991 - quanto mais em vantagem, como acabou ocorrendo por burrice dos adversários. Isso por conta da redação do próprio regulamento. Que, quase duas décadas depois, se finja que nem o presidente da Federação, nem o diretor de futebol do São Paulo podiam ser desde aquela época interpelados acerca de tamanho equívoco, é coisa que não posso engolir: não sou Juca Kfouri, tampouco Birner. O São Paulo, se não se mexesse, teria sido alijado da disputa do Paulistão de 1991. Era o que teria acontecido ao clube caso seus - como é que era mesmo? - co-irmãos não optassem por assinar o regulamento de 1991 com modificações mais do que essenciais em relação ao previamente acordado.

    É só isso. Não tem nada demais. O Palmeiras caiu, o Fluminense também, o Botafogo, o Atlético Mineiro: todos caíram. O Milan caiu. O Corinthians, inclusive, está gostosamente caído. Se eu fosse são-paulino, preferiria muito mais tirar sarro dos rivais, por cafajestice, do que desmentir a mim mesmo com quase duas décadas de atraso, por orgulho."

    Bom, está claro em que pé paramos, não é mesmo? Muito bem. À "Época". A reportagem toda está aqui. O que nos interessa, abaixo.

    Pelo vascaíno André Fontenele (os grifos são meus, e peço que o leitor os cruze com as observações negritadas acima, em verde):

    O dia em que o São Paulo foi rebaixado

    O fim da polêmica sobre a queda no Campeonato Paulista de 1990: o clube do Morumbi caiu, sim

    A discussão sobre a queda do São Paulo em 1990 apaixona torcedores

    O São Paulo caiu, sim, para a segunda divisão no Campeonato Paulista de 1990.

    A polêmica é antiga, atiçada pelo clubismo cego e pela falta de memória do brasileiro. Foi reavivada por uma matéria da Folha de S. Paulo (para assinantes) da quarta-feira, 21 de janeiro de 2009, que
    questionava uma frase do guia oficial do Campeonato Paulista, publicado esta semana pela Federação Paulista de Futebol (FPF). "O São Paulo cumpriu uma campanha ruim, não se classificou nem na repescagem e foi rebaixado para a segunda divisão."

    "FPF rebaixa o clube e 'suja' título de 91", escreveu a Folha. Diante da indignação dos são-paulinos,
    a FPF recuou e divulgou nota oficial dizendo que o texto de seu próprio guia "não procede". Culpou pelas informações o historiador Rodolfo Kussarev, que por sua vez culpou o livro A História do Campeonato Paulista (Publifolha, 1997), escrito pelo autor destas linhas e por Valmir Storti, à época repórteres da própria Folha de S. Paulo.

    Procurado pelo autor da matéria, o repórter da Folha e comentarista da ESPN Brasil Rodrigo Bueno, às 18h daquele mesmo dia 21, consultei meu colega Valmir, hoje repórter freelance, e enviamos à Folha a seguinte declaração em comum.

    "O livro foi escrito com base nas informações publicadas nos jornais da época, entre eles a própria Folha, onde os dois autores trabalhavam como repórteres em 1997, ano do lançamento do livro. Para esclarecer de vez a polêmica do rebaixamento ou não do São Paulo, sugerimos que a Folha reproduza o que ela mesma publicou em sua edição de 20 de junho de 1990."

    Infelizmente a Folha só publicou a primeira parte de nossa declaração. Não acatou nossa sugestão: reproduzir o que ela mesma publicou em sua edição de 20 de junho de 1990.

    Se o tivesse feito, seria obrigada a reconhecer: o guia da Federação Paulista estava certo. O São Paulo caiu, sim. De forma insofismável.

    Como a Folha não o fez, o fazemos a seguir. Não houve meio-termo nem subjetividade nessa queda, como será provado abaixo com o texto do próprio jornal, publicado naquela ocasião.

     

    Título da página interna da mesma edição do jornal: "São Paulo vai disputar Segunda Divisão"

    Por mais que desagrade os são-paulinos, a verdade é a que segue:

    Em 1990, o Campeonato Paulista foi disputado por 24 times. Havia a percepção de que eram times demais. Convencionou-se, então, que apenas 14 times disputariam o campeonato de 1991 - os 14 primeiros do certame de 1990. De alguma forma, o São Paulo "conseguiu" ficar em 15º, depois de ser eliminado na primeira fase (que classificou 12 times) e novamente eliminado numa repescagem (que classificou outros dois, completando 14). Para não melindrar susceptibilidades, o regulamento de 1990 dizia que "não haveria descenso". Era só uma fórmula de cortesia: os times que não entrassem entre os 14 disputariam o que, na prática, equivaleria a uma segunda divisão.
     

    Esse regulamento não foi cumprido. Diante do rebaixamento do São Paulo, houve uma virada de mesa. Os times rebaixados em 1990 (não só o São Paulo, mas outros importantes, como a Ponte Preta) ganharam o direito de lutar por duas vagas nas finais. Foi assim que o São Paulo conseguiu a façanha, inédita no futebol mundial, de ser rebaixado em um ano e campeão no ano seguinte!

    O argumento dos são-paulinos, portanto - de que o acesso no mesmo ano "já estava previsto" - é falso e errôneo.

    Para não prolongar a explicação, reproduzo o texto da Folha de S. Paulo de 21 de junho de 1990 - dia seguinte ao dia em que o São Paulo caiu.

    "SÃO PAULO VAI DISPUTAR A SEGUNDA DIVISÃO EM 91


    Fernando Santos
    Da Reportagem Local

    O São Paulo foi eliminado pelo Botafogo na repescagem do Campeonato Paulista deste ano e vai disputar a Segunda Divisão em 91. O São Paulo goleou ontem o Noroeste por 6 a 1 no Morumbi, mas ainda dependia da derrota do Botafogo para se classificar. O time de Ribeirão Preto empatou em 0 a 0 com a Internacional em Limeira.

    No próximo ano, o São Paulo vai disputar a série B do Campeonato Paulista, sem direito a lutar pelo título. É uma nova fórmula aprovada pelo conselho arbitral de clubes em janeiro. Farão parte dessa série os 10 clubes eliminados do campeonato deste ano mais quatro que vão subir da Divisão Especial.

    (...) Resta ao São Paulo a chance de subir para a série A em 92. Apenas o campeão da série B sobe (...) Esta fórmula foi aprovada por unanimidade por todos os 24 clubes que iniciaram o campeonato este ano, segundo o presidente em exercício da Federação Paulista de Futebol, Antoine Gebran.

    'Vamos cumprir a lei. Lei é lei', disse o diretor-adjunto do São Paulo, Herman Koester (...) Segundo ele, o São Paulo vai mesmo disputar a Série B, uma Segunda Divisão que só não recebe essa denominação por uma questão de nomenclatura jurídica. (...) Já o diretor de futebol Fernando Casal de Rey, 47, ainda não se deu por vencido. Ele disse que vai acionar o departamento jurídico do clube para saber se a aprovação da fórmula do campeonato de 91 é legal. Casal de Rey disse, sem ter certeza, que não existe um documento assinado pelos clubes sobre o assunto. Assim, ele poderia recorrer à Justiça Desportiva para mudar a fórmula. Ou seja, apelar para o tapetão. 'Estamos vivendo um pesadelo', disse Casal de Rey."

    O resto é história conhecida. Houve a virada de mesa e, embora o São Paulo tenha disputado o equivalente à segunda divisão em 91, classificou-se para as finais, eliminando o Palmeiras, que vinha do grupo mais forte. A Folha também ouviu, naquela ocasião, são-paulinos ilustres, como José Victor Oliva, o vocalista do Ultraje a Rigor, Roger, e o ministro do Tribunal Superior do Trabalho Almir Pazzianotto. Todos reconheciam o rebaixamento, repudiavam a virada de mesa e reafirmavam que o São Paulo voltaria à primeira divisão na bola.

    Estes são os fatos.

    P.S.: Como o clubismo costuma influenciar a opinião até dos jornalistas que discutem polêmicas futebolísticas, cumpre informar o time de coração do autor deste texto. Ele é vascaíno. E promete que daqui a 20 anos não dirá que o clube dele não caiu.

    Notem que certos trechos que destaquei, dos meus posts anteriores, os destaquei em vermelho. É porque eles dão conta do espírito que anima importante - e destacada - parcela da crônica esportiva brasileira. Preguiça. Ignorância. Despreparo. Automatismo mental. Servilismo imediato ao vozerio da hora. Tudo junto: imoralidade na veia. A partir deles, você nota o quanto muitos desses camaradas que vivem de nossa paixão desprezam cada um dos recursos quase infinitos de que dispõem, e o fazem sempre que possível - ou necessário ao discurso que julgam "progressista". Um exemplo? PVC tem melhor acesso a arquivos da Folha do que eu, você ou Davi Marinelli. Arquivos e História são um dos seus mais alegados charmes - ele, supostamente, jamais abre a boca sem antes entregar-se aos mais sérios estudos. PVC é o próprio símbolo dessa rapaziada sagaz que vive lidando com assuntos complexos como a Física Quântica, tratando de matérias sapienciais de cunho não só exotérico como, quiçá, até mesmo esotérico. Mas sabe como é: ali, sentado na primeira fileira, dá uma vontade louca de oferecer maçã ao professor, né? Sejamos honestos. O que é melhor: exercer a profissão de jornalista ou posar de jornalista isento diante do meio opressivo, para ver se o bicho toma dó da gente e sossega? Francamente, né, pessoal? O negócio é sair bem na fita e ser querido pela patrulinha.

    Ou esse rapaz se habitua com a idéia de que não há nada de errado em torcer por um clube e se ver, por ofício, obrigado a analisá-lo, ou vai passar mais tempo pedindo desculpas por ser palmeirense do que sendo levado a sério.

    Quanto ao resto, dizer o quê? O resto estava apenas fazendo o próprio trabalho.*

    *Uma nota: a então diretoria do São Paulo, na ocasião, assumiu-se rebaixada. Aquela ou a de hoje, se quiserem, podem contar a linda - ainda que manchada pela indecente virada-de-mesa, tão repudiada pela imprensa esportiva, sobretudo paulista - história de como o clube saiu do fundo do poço para, em dois anos, ganhar o mundo. O único empecilho é essa turma que, desejando ser mais realista que o rei, insiste em plantar o futuro paradisíaco mediante a semeadura da falsificação do passado na lavoura do presente.



    Escrito por Falavigna às 11h15
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    Esquentando as turbinas

    Legal

    Muitos dias seguidos em Florianópolis, malemá olhando o e-mail. Adianto que o vencedor do Bolão do Brasileirão foi Lédio Carmona, mas quem leva o rango é Felipe Giocondo - não conheço o Lédio mas, mesmo assim, duvido que possa aceitar a premiação. Serviremos a partir de 15 de janeiro, data e horário em abertos por enquanto. A partir de amanhã, retomaremos as atividades publicando algo como uma perspectiva recheada de retrospectivas. O ano começará bem, pelo que tenho visto.

    E sim, estou com Beluzzo. Outra hora, meto a foto aqui.



    Escrito por Falavigna às 14h40
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